Segredos do churrasco argentino
Há três anos os londrinenses contam com uma casa especializada em churrasco argentino. No Cabaña Ganadera os cortes de angus predominam, priorizando o modo de preparo argentino. Lá, o ponto da carne fica a gosto do freguês, que pode escolher entre ponto menos, ao ponto e ponto mais, mas sempre buscando preservar a suculência da carne aliás vale ressaltar que a carne servida ao ponto definitivamente surpreende, mesmo às mulheres que normalmente preferem a carne "bem passada".
"As pessoas às vezes têm receio achando que a carne ao ponto vai ter gosto de sangue, mas pelo fato de ser angus, que já tem um abate mais precoce, não há o acúmulo de ferro nas fibras da carne (que favorece ao gosto de sangue), isso sem falar da marmorização (possui gordura dentro das fibras musculares) o que deixa a carne mais saborosa e suculenta", afirma o sócio-proprietário André Candia Nunes da Cunha, que não vem de uma família com tradição de churrasqueiros, mas aprendeu a fazer na prática um dos seus pratos favoritos.
Preparado aos pedaços, na parrilla (churrasqueira argentina que lembra uma grande grelha com canaleta para escorrer a gordura), o churrasco argentino é feito apenas com o calor da brasa. Pela proximidade da carne com a brasa, o preparo da carne em pedaços leva cerca de meia hora e todo cuidado é pouco na hora de controlar a temperatura para manter o ponto ideal lá esse trabalho fica sob o comando competente do parrillero Adrilan Alves Constantino. Outro detalhe é que a carne é salgada apenas na hora de grelhar com sal entrefino - um tipo de sal com textura intermediária entre o sal fino e o sal grosso. "Na verdade, lá eles costumam salgar na hora de comer, com sal fino, mas isso é muito diferente para os padrões brasileiros", comenta Cunha.
Alguns dos cortes mais pedidos da casa são o filé de chorizo (parte do contra-filé) e o ancho (filé de costela), que podem ter como acompanhamento arroz Biro-Biro (que lembra o nosso arroz carreteiro), salada ou as deliciosas batatas gratinadas com molho de gorgonzola e bacon. "Pela apresentação do prato, acaba se transformando em um 'churrasco gourmet', mas a carne preserva o modo rústico original de preparo argentino", pontua Cunha. "E assim como nós, os argentinos gostam muito de fazer churrasco, só que lá não ficam comendo carne durante o dia inteiro; há um momento específico para isso e depois continuam bebendo mate, cerveja ou vinho", acrescenta Cunha. No cardápio ainda há opções de cortes de carne com capa de gordura, sem capa de gordura e com osso. (A.P.N.)
DICAS
Na opinião de André Candia Nunes da Cunha, vale a pena investir em uma parrilla, há modelos bem simples e acessíveis. Os cortes argentinos também fazem a diferença e a carne de angus merecidamente preserva um sabor especial. Não temperar a carne com antecedência é outro requisito básico. E sobre a temperatura ideal da grelha, a dica é fazer o teste dos 5 segundos: assim com o braseiro estiver formado, veja se consegue manter a mão um pouco acima da grelha por até 5 segundos. Se não conseguir deixar mais que isso, é sinal que o fogo está no ponto para selar a carne e manter a suculência que você preferir. Outra dica é sobre o sal, que Cunha recomenda que o sal grosso seja rapidamente batido no liquidificador para se aproximar da textura do sal entrefino utilizado por eles.





