SEGALL BEM BRASILEIRO
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segunda-feira, 18 de setembro de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Uma série de 35 gravuras de Lasar Segall estarão expostas a partir de hoje na Casa Romário Martins, em Curitiba. A mostra deveria ter sido inaugurada na sexta-feira passada, dentro do cronograma de atrações do Circuito Cultural Banco do Brasil, mas na última hora ocorreu a mudança de datas. Para compensar o encerramento foi adiado para a próxima terça-feira, dia 27.
Até essa data o público terá oportunidade de apreciar as obras de um dos grandes nomes das artes plásticas no Brasil. São 35 gravuras xilogravura e gravura em metal reimpressas especialmente para as exposições itinerantes promovidas pelo Museu Lasar Segall.
O material abrange o período de produção que vai de 1924 a 1930. Nesta época o artista trabalhou com muita intensidade em temas nacionais, sendo que a maior parte foi feita durante a temporada de Segall em Paris, nos anos de 1928 a 32. Ele ocupou-se especialmente a partir de anotações levadas do Brasil.
Para situar melhor o visitante, a mostra é acompanhada de painéis introdutórios sobre a Fase Brasileira, com textos de Mário de Andrade, Vera dHorta, Frederico Morais, Mário Barata, Manuel Bandeira e Vinícius de Morais. Incluem-se ainda as informações sobre história e técnicas da gravura em metal e da xilogravura, e ainda dados biográficos do gravador.
Celebrizado já em sua época, o artista foi festejado por Mário de Andrade logo após sua chegada a São Paulo. Num comentário feito na revista A Idéia, em 1924, o intelectual afirmou que Segall é realmente um dos mais interessantes modernistas que conheço. Trabalha indiferentemente pintura e gravura admirável técnica de gravador, principalmente na litografia e na água-forte (...) Lasar Segall é para mim um dos que melhor resolvem o problema das relações entre a aete e o mundo exterior.
Lasar Segall (Vilna 1891 - São Paulo 1957) foi mais que um grande gravador. Ele ainda deixou para a posteridade uma obra respeitável na pintura, escultura e desenho. Nascido na Lituânia, numa localidade então integrante do território russo, fez aí seus primeiros estudos com o escultor e gravador Markus Antokolski. Tinha 15 anos quando emigrou para a Alemanha, onde matriculou-se na Academia de Belas Artes de Berlim (1907-1909).
Foi desligado da escola porque participou da Freie Sezession, uma exposição de artistas descompromissados com a estética oficial. Desse salão saiu com o prêmio Max Liebermanu. Mudou-se para Dresden em 1910, e nesse mesmo ano fez sua primeira mostra individual. O impressionismo de Liebermann ainda era evidente na sua obra, mas por volta dos 20 anos o jovem começou a se aproximar do expressionismo.
Em 1913 tomou um navio e veio se aventurar no Brasil. Aqui realizou a primeira exposição de arte moderna, e decidiu-se a voltar à Alemanha. Por ser cidadão russo foi parar num campo de concentração alemão. Depois de alguns anos, quatro álbuns de litografias e águas-fortes, e algumas individuais naquele país, decidiu-se de vez a fixar residência no Brasil.
Tinham se passado dez anos, ele estava com 32, maduro o suficiente para dar novo rumo à sua vida. Radicou-se em São Paulo. Em 1924 promoveu nova exposição individual, decorou o Pavilhão de Arte Moderna, de dona Olivia Guedes Penteado. Em 1925 casou-se com uma discípula, Jenny Klabín, e posteriormente naturalizou-se cidadão brasileiro.
As imagens da terra eram eloquentes. Ocupou-se em levar às telas as mulatas com filhos ao colo, marinheiros e prostitutas, favelas e bananeiras. A escultura entrou na vida de Segall em 1929, sendo que os objetos criados reproduziam as mesmas figuras sofridas e solitárias presentes nas pinturas, desenhos e gravuras.
Em 1943 quando completava 20 anos de sua chegada definitiva à nova pátria uma grande exposição no Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, coloca Lasar Segall no pódio de um dos maiores artistas brasileiros. Artista tipicamente expressionista, foi excepcional como pintor, desenhista, gravador (nas três técnicas) e escultor. Foi ele um dos que mais contribuiu para a implantação da arte moderna em São Paulo e no Brasil.
A raça judaica, a que pertencia, foi um dos fatores a transformar sua arte num contínuo relato da dor humana. O lirismo viria até ele no final de sua vida, resultando em imagens como as de Campo do Jordão, por exemplo. Mesmo tendo procurado o não-figurativismo na série As Florestas (a morte interrompeu-o quando estava nesta fase), ainda assim ele sentia necessidade da figura humana para externar seus sentimentos.
Circuito Cultural Banco do Brasil promove exposição de gravuras de Lasar Segall, Imagens do Brasil. São 35 gravuras, datadas do final dos anos 20, onde o artista retrata faces do País. Casa Romário Martins (Largo da Ordem, 30), de segunda a sexta das 9 às 18 horas; sábado e domingo das 9 às 14 horas. Até dia 27.


