Sedutor em versão malandra
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Fábio Dobbs TV Press 
Edson Celulari: Hoje, o galã moderno que se vê no cinema americano pode ser um anti-heróiOs olhos azuis de Edson Celulari sempre encantaram as mulheres e renderam ao ator muitos papéis de heróis de boa aparência. Mas, desde que interpretou o protagonista da peça Calígula, parece que Edson procura os tipos transgressores.
Com Vadinho, seu novo personagem na minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos, Edson está na pele de mais um transgressor, um malandro que vive a vida da maneira mais desprendida possível. Seu interesse está no jogo e nas mulheres.
A irresponsabilidade do atual personagem mexe com a cabeça do ator. Fico pensando na facilidade com que o Vadinho leva a vida. Sou totalmente diferente, muito certinho e responsável, compara.
Como é interpretar o Vadinho, um malandro diferente dos galãs certinhos que você sempre fez?
Edson Celulari - Estou aprendendo muito com o Vadinho. Ele tem uma maneira muito própria de ser feliz, totalmente diferente de mim. Sou um homem muito responsável e profissional. Ainda mais agora, que sou pai de família. Às vezes, fico analisando e vejo que o Vadinho é um cara que sabe realmente viver. Ele é safado, malandro, mulherengo. Não que eu tenha vontade de ser tudo isso, mas às vezes penso se o segredo de viver bem não está na irresponsabilidade...
Poderia significar o início de uma fase de personagens malandros?
Edson Celulari - Agora, só quero fazer Vadinhos. É tão bom vadiar, você assimila um espírito de moleque, que é muito característico do brasileiro. Os europeus são sisudos, os americanos objetivos e os brasileiros são um pouco essa mistura de oportunismo, malandragem, safadeza e sedução.
A morte do Vadinho não seria uma espécie de punição?
Edson Celulari - Não sei se a morte dele seria encarada como um julgamento. A punição, no entanto, não é o objetivo primeiro do romance. A obra de Jorge Amado não julga isso. O romance poderia ser classificado como machista. O Vadinho é louco por jogo e mulheres. Verdadeiramente apaixonado pela Flor. Ele encontra nela a Amélia perfeita, que cozinha bem e sabe perdoar. O amor perdoa tudo. Em um outro momento, o romance tem uma postura moderna, em que Flor decide ficar com os dois maridos. Isso é uma posição feminina, de vanguarda com certeza.
Você chegou a conversar com o Jorge Amado sobre a obra?
Edson Celulari - A Giulia Gam conversou com ele. Segundo ela, o Jorge tinha resolvido o romance até o pedaço em que Flor não sabia com quem ficar. Ele não conseguia prosseguir até que uma noite, dormindo, ele deu um berro: Zélia, ela veio me atazanar. Jorge contou para a esposa que a Flor disse em sonho que queria ficar com os dois. Foi a solução para o romance.
Você vê uma tentativa da televisão em transformá-lo num galã?
Edson Celulari - Eu faço papéis que você pode enquadrar como galãs e outros que são enquadrados em qualquer outro perfil. Na minha opinião, o galã seria o homem ideal dentro de muitos aspectos. Hoje, o galã moderno que se vê no cinema americano pode ser um anti-herói.


