Como um personagem invisível, a música está presente em todas as novelas. E, em algumas delas, ganha o destaque de uma protagonista. ‘‘Cheias de Charme’’, novo folhetim das sete da Globo, tem os gêneros tecnobrega, eletroforró e sertanejo universitário presentes com intensidade em sua trama. É a música que une as protagonistas entre si e a outros personagens, como o cantor Fabian, papel de Ricardo Tozzi.
  Na história, Penha, Rosário e Cida, de, respectivamente, Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond, são três empregadas domésticas que se tornam cantoras de sucesso. ‘‘A gente partiu desse universo das empregadas e esse universo puxou a questão da música popular. Nós fomos pesquisar e acabamos descobrindo esses estilos, que nasceram na periferia e não foram divulgadas por gravadoras, em um primeiro momento’’, explica Filipe Miguez, que assina a novela com Izabel de Oliveira.
Sucessos infantojuvenis
  ‘‘Rebelde’’, da Record, é um bom exemplo de como a música pode influir na popularidade de uma novela. A produção infantojuvenil já está em sua segunda temporada usando seis jovens de uma banda como protagonistas. Entre conflitos típicos da juventude, eles tentam ensaiar e fazer shows. O sucesso foi tão grande que a banda ‘‘Rebeldes’’ saiu do mundo fictício e está fazendo turnês pelo país. ‘‘Eu acho que a novela fala muito com o telespectador através da música. A banda toca nas cidades, o público vê os atores de perto e canta com eles. Acho que uma coisa acaba completando a outra’’, avalia Margareth Boury, autora do folhetim.
  Muitas outras novelas voltadas para o público infantil e jovem deram ênfase à música em suas tramas. ‘‘Carrossel’’, produzida pela Rede Televisa no México e transmitida pelo SBT no Brasil em 1991, foi uma das primeiras novelas musicais que fizeram sucesso no país. Logo depois, a emissora começou a exibir a versão brasileira de ‘‘Chiquititas’’ – originalmente uma produção argentina. Ela se tornou um dos folhetins mais longos da dramaturgia, com cinco temporadas, exibidas entre 1997 e 2001. ‘‘As músicas eram muito populares. Acho que foram essenciais para o sucesso de ‘Chiquititas’. Até hoje são muito assistidas através do You Tube’’, acredita Fernanda Souza, que interpretou a Mili, da primeira temporada.
  Na Globo, ‘‘Malhação’’, mesmo tendo um enfoque musical mais esporádico, também costuma tratar desse assunto. Várias bandas juvenis já passaram pela produção. A temporada 2008, que teve Sophie Charlotte, Rafael Almeida e Nathalia Dill no núcleo central, foi uma delas. Na trama, duas bandas rivalizavam, ‘‘The Banda’’ e ‘‘Faniquito’’. A autora, Patrícia Moretzsohn, já havia testado a temática do grupo musical com sucesso em ‘‘Floribella’’, da Band. E, novamente, teve êxito na audiência.
  Para ela, as novelas infantis e jovens permitem uma ousadia maior do que os folhetins tradicionais, o que explica novos formatos serem testados e acabarem dando certo nesse tipo de produção. ‘‘Algumas séries estrangeiras como ‘Glee’ e ‘Smash’, por exemplo, mostram que há interesse dos adultos na abordagem musical. Talvez seja o caso de alguém dar o primeiro passo para descobrir a reação dos espectadores’’, opina.

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