Secretária quer intervir na questão do arquivo cultural
Temos que nos unir para não deixar que o Arquivo Cultural de Londrina feche as suas portas, a declaração é da Secretária Estadual de Cultura, Lúcia Camargo. Em entrevista, por telefone, à Folha2 ela afirmou que desconhecia o fato de que o Arquivo estava com seus dias contados, mas garantiu que pode intervir na situação, prontificando-se, inclusive, a vir à Londrina caso seja solicitada. Ninguém me procurou pedindo o meu apoio, afirma. Lúcia Camargo explica que em processos de privatização, não é possível interferir diretamente. O dono da empresa investe naquilo que ele entende ser melhor. Mas quando a questão é cultura é claro que nós, da Secretaria Estadual da Cultura, podemos sentar e conversar para intervir, como no caso do Arquivo Cultural, complementa.
O Arquivo, mantido pelo Banestado, vive uma situação de expectativa em torno de seu destino, desde dezembro último. Com o processo de privatização, a política de investimento em cultura do banco não prevê a manutenção de imóveis destinados a este setor. A Folha2 não conseguiu conversar com o chefe de gabinete do Banestado, Nestor Bueno, que estava viajando.
Na última quarta-feira, entidades como a Associação Comercial de Londrina -Acil - e Sociedade Rural do Paraná, além de representantes da Associação de Artistas Plásticos de Londrina, Universidade Estadual Londrina e outros membros da comunidade reuniram-se buscando uma solução.
A Acil se prontificou a doar em regime de comodato, a Casa do Papai Noel, localizada próxima ao Lago Igapó, para que o Arquivo possa ter um espaço para continuar existindo. Segundo a diretora social da entidade, Helenida Taufik Tauil da Costa Branco, para que isto aconteça é preciso saber quais as finalidades do Arquivo, qual o seu acervo, além de constituir uma pessoa jurídica que se responsabilize pelo projeto. A Acil irá fazer uma solicitação formal ao Banestado para obter as informações necessárias. Quanto à criação jurídica do Arquivo, a artista plástica Iara Strobel, que coordenou o projeto durante sua existência - de setembro a dezembro último - afirma que serão consultados advogados e contadores para saber qual o procedimento legal que deve ser tomado.
Outra preocupação é quanto aos equipamentos - aparelho de som, TV, videocassete, computadores. Não se sabe se o Banestado irá doar estes equipamentos para o Arquivo. Iara Strobel afirma que embora exista esta preocupação, isto não irá prejudicar a continuidade do projeto. O representante da Sociedade Rural definiu bem esta situação: compram-se outros equipamentos, a memória não, conta. O que importa é ter um local para manter o acervo. No resto dá-se um jeito, complementa.
O resultado da conversa com o advogado e o contador, além do pedido de informações ao Banestado sobre o acervo e a finalidade do Arquivo serão avaliados em reunião no dia 9 de abril. Então poderemos estudar a possibilidade da doação em regime de comodato da Casa do Papai Noel, afirma a diretora social da Acil.Lúcia Camargo, secretária estadual de Cultura, sugere a união de esforços para preservar o Arquivo Cultural de Londrina
Arquivo FolhaArquivo Cultural de Londrina fica sem sede com o processo de privatização do Banestado que mantinha o imóvel que o alojava. A secretária Lúcia Camargo (no detalhe) diz que pode ajudar na busca de soluções se for solicitadaÉrika Pelegrino





