Essa foi uma semana bastante movimentada na Secretaria de Cultura, em Londrina, depois que o secretário Bernardo Pellegrini encaminhou pedido de abertura de sindicância para apurar o caso que envolve o projeto da montagem teatral ''A Maldição'', cujo proponente é Carlos Alberto Gaspar, que assina artisticamente Beto Morbeck. A denúncia é de falsificação da assinatura do secretário Bernardo Pellegrini e do funcionário da pasta João Carlos Murari em três Certificados de Incentivo falsos que autorizavam de captação de verbas, com o aval da Lei de Incentivo.
Os Certificado de Incentivo fajutos foram expedidos após três depósitos na conta do projeto ''Manutenção 2002 do Espaço Cultural Alternativo Teatro Cultura'', do proponente Erasmo Guedes, sócio de Morbeck. Foram realizados nos meses de junho, julho e agosto depósitos na conta do projeto, mesmo com a captação do projeto já completa. A empresa que repassava verbas depositou nesses três meses R$ 3 mil e solicitou ao empreendedor Erasmo Guedes os certificados que ainda não havia sido expedidos.
''Misteriosamente'', os certificados surgiram na empresa, mas falsificados e em nome do projeto ''A Maldição'', de 2000, de Beto Morbeck. A empresa incentivadora entrou em contato com a Secretaria de Cultura, que denunciou o caso. Segundo a Secretaria, Erasmo Guedes devolveu o dinheiro referente a esses três meses.
A Folha2 conversou com Beto Morbeck, diretor artístico do Teatro Cultura. Morbeck alega que a pessoa responsável pela captação do projeto de Manutenção do Espaço Teatro Cultura, de nome Aline (ele não sabe o sobrenome), não avisou a empresa que estava repassando o dinheiro do patrocínio que já havia encerrado a captação. Nem tampouco Erasmo e Beto foram tentar desvendar o mistério do dinheiro extra. ''Foi ingenuidade nossa não irmos atrás. A prestação de contas de ''A Maldição '' já estava pronta, para nós não teria lógica dar certificado em nome de outro projeto. Parece coisa feita para pegar eu e o Erasmo'', se defende. Segundo o diretor, nenhum funcionário da Secretaria foi acompanhar o trabalho de reforma do espaço e nem ocupar local em dois dias por semana ao qual a Secretaria têm direito, como contrapartida social.
A auditoria da Prefeitura enviou um comunicado sobre as irregularidades, entre as quais constam recibos sem assinaturas dos favorecidos e sem data de pagamento do trabalho. Além disso, na prestação de contas, havia notas de empresas já desativadas (Navarro e Mazzeo Ltada, não habilitada desde 1998; e Antônio de Carvalho).
Morbeck disse que sua advogada vai solicitar exame grafológico das assinaturas dos certificados e entrar com um processo contra a Secretaria alegando calúnia e difamação. ''A Secretaria de Cultura tem uma diferença e indiferença contra mim muito grande. Desconfio que alguém lá de dentro promoveu isso para prejudicar a gente. Por que desconfio da Secretaria de Cultura? Porque até agora fui boicotado. Sou inocente até provem o contrário'', afirma.
Outro caso rumuroso envolve o grupo Viola de Coité. O músico e funcionário público Guilherme Ferreira participou por dois anos do grupo Viola de Coité. Uma das coordenadoras do projeto, Regina Reis, trabalha na Secretaria de Cultura. Como funcionária pública, não pode receber os benefícios da Lei de Incentivo. Segundo a denúncia de Guilherme Ferreira, que se desligou do grupo, Regina Reis utilizava outros integrantes para assinar os projetos. Em 2000, Geraldo Batista dos Santos, e em 2001, Lucilene Garcia de Farias. ''Ela (Regina) coordenava os pagamentos da Viola de Coité. Esse é um esquema montado em benefício próprio'', afirma Ferreira. Outra denúncia entregue ao auditor Oswaldo Lima se refere a pagamentos à funcionária Regina Reis e seu marido o veterinário Antônio Carlos. Os recibos foram assinados a pedido de Geraldo Batista dos Santos, no valor total de R$ 6 mil. Guilherme argumenta que Regina registrava presença no cartão ponto durante o período de ensaio do grupo Viola de Coité.
Sobre o projeto Viola de Coité, do ano 2000 e 2001, o auditor afirma que as denúncias de Guilherme Ferreira procedem e por isso foi aberto um inquérito administrativo. A auditoria enviou um comunicado à funcionária Regina Reis, sobre a desaprovação das contas. Regina Reis foi procurada pela reportagem da Folha2, mas preferiu não se manifestar enquanto não houver um desfecho do caso.

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