ReproduçãoSean Penn: ‘‘Você não pode ganhar US$ 20 milhões para os filmes que eu quero
fazer’’O bad boy dos anos 80 mudou, não cria mais confusões e é um dos atores mais conceituados de Hollywood no momento. Sean Penn, de 36 anos, criou a imagem de garoto mau tanto dentro quanto fora das telas. Ele fez o papel de um hooligan em ‘‘Os Bad Boys’’, de um estuprador sem pena em ‘‘Pecados de Guerra’’, de um ladrão em ‘‘Caminhos Violentos’’ e de um assassino frio em ‘‘Os Últimos Passos de um Homem’’. Na época do casamento com a pop star Madonna, ele praticou boxe com os paparazzi que andavam atrás dela, foi parar 30 dias na cadeia por brigar com um figurante de um filme e teve sua carteira de motorista caçada em outro incidente.
Mas ele mudou. Continua com cara de bad boy adulto, no estilo de Humphrey Bogart e Robert Mitchum, daquele tipo que dá medo em todo mundo, mas não cria mais tumultos e está trabalhando mais do que nunca. Pela primeira vez desde os anos 80, Sean Penn está em três produções que chegam este semestre às telas dos Estados Unidos: ‘‘She’s So Lovely’’, de Nick Cassavetes, pelo qual ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Filmes de Cannes deste ano, que estreou no último fim de semana nos Estados Unidos; ‘‘The Game’’, que chega aos cinemas norte-americanos dia 12, um thriller maluco de David Fincher, o homem responsável por ‘‘Seven - Os Sete Crimes Capitais’’; e ‘‘U-Turn’’, uma sátira sobre a violência, de Oliver Stone, que vai para as telas em 3 de outubro. Em julho, o ator que diz que odeia atuar filmou na Austrália ‘‘The Thin Red Line’’, o primeiro filme de Terrence Malick desde ‘‘Days of Heaven’’, de 1978.
RespeitoEle corre por fora em Hollywood e fica longe das produções mais mainstream. ‘‘Você não pode ganhar US$ 20 milhões para os filmes que eu quero fazer’’, diz ele em entrevista para a revista Entertainment Weekly. ‘‘Já recebi propostas que iriam salvar a minha conta bancária para sempre, mas a gente lê a primeira página do roteiro e pede a Deus que consiga achar uma razão para que possa valer a pena fazer o filme’’, explica ele. ‘‘Não dá para encontrar esta razão’’. Mesmo fora do circuito de blockbusters, ele é respeitado em Hollywood. ‘‘Ele é o melhor ator da minha geração’’, afirma Tim Robbins, que dirigiu ele em ‘‘Os Últimos Passos de um Homem’’, que valeu ao ator sua indicação (a primeira) ao Oscar, em 1995.
O script de ‘‘She’s So Lovely’’ ele conheceu ainda nos anos 80, pelas mãos do ator, roteirista e diretor John Cassavetes, autor de clássicos como ‘‘Faces’’ e ‘‘A Woman Under the Influence’’. Na versão que chegou no fim de semana aos cinemas americanos, a história é a de um casal loucamente (sem exageros) apaixonado, que é separado quando ele (Sean Penn) vai passar dez anos em uma instituição para doentes mentais, depois de cometer um crime. Na volta, ele corre atrás dela (Robin Wright Penn, sua mulher de verdade) de novo, mas a vida mudou e ela está casada com outro (John Travolta). Até que o filme chegasse esta temporada a Cannes, foram dez anos de espera, que tiveram até a morte por cirrose de John Cassavetes. O projeto foi retomado por seu filho, Nick.
Jogo perigoso Em ‘‘The Game’’, ele dá um presente de aniversário inesperado para um bilionário, Michael Douglas - é um role-playing game (RPG) meio estranho, com gente que atira de verdade no ricaço. Depois de algum tempo, ele não consegue descobrir o que é verdade e o que é parte da brincadeira. De acordo com David Fincher, é uma história complexa em termos de mentiras. Segundo Michael Douglas, o diretor estava disposto a fazer coisas que ninguém nunca tinha feito em Hollywood e havia mais surpresas no set do que ele podia esperar.
O outro trabalho de Sean Penn que chega às telas em breve é ‘‘U-Turn’’, de Oliver Stone, que o ator descreve como a versão noir de ‘‘Depois de Horas’’. O filme, baseado no livro ‘‘Stray Dogs’’, de John Ridley, é sobre um homem que vai para uma cidade no meio do deserto, no Arizona, onde todo mundo quer acabar com ele, seduzi-lo (Jennifer Lopez), enganá-lo, tudo. ‘‘U-Turn’’ é uma produção de baixo orçamento (menos de US$ 20 milhões) em relação aos últimos filmes de Oliver Stone, ‘‘JFK’’, ‘‘Assassinos por Natureza’’ e ‘‘Nixon’’. De acordo com o diretor, o ator ficou desorientado nos 44 dias de filmagens no meio do deserto. ‘‘Com certeza, isso ajudou na sua performance .’’

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