'Se Não Nós, Quem?' retrata o amor em um tempo radical
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sexta-feira, 02 de dezembro de 2011
Luiz Zanin Oricchio <br> Agência Estado 
São Paulo - ''Se não Nós, Quem?''. Com esse título interrogativo, o filme dirigido por Andres Veiel coloca personagens reais num clima de alta temperatura política.
Os personagens são Bernward Vesper e Gudrun Ensslin. Bernward é candidato a escritor, filho de um intelectual que mantém acesas suas simpatias pelo nazismo em plena década de 1960. Na universidade, Bernward conhece Gudrun e os dois iniciam relacionamento que terminará em casamento. No pano de fundo, a efervescência política juvenil, que começa a espocar em diversos lugares do mundo, França, Estados Unidos, Brasil. A Alemanha, ainda traumatizada pela guerra, pela memória do nazismo e pela divisão imposta ao país, parece adormecida. Parece, apenas.
Como todo filme de época, e em especial de épocas febris, tudo depende da fidelidade com que se capta determinado clima. Não se trata de uma questão da direção de arte (embora esta conte, e muito), mas da compreensão de um certo ethos, uma mentalidade dominante a ser evocada. O modelo atual para esse tipo de evocação é ''Carlos'', o estupendo filme de Olivier Assayas sobre o controvertido Ilitch Ramírez, o Chacal.
Sem nem de longe alcançar a altura e o alcance de Carlos, ''Se não Nós, Quem?'' evoca, de forma viva, uma época de disposições violentas, de desejo de transformação imediata do mundo, de utopias e extremismos, que foram as décadas de 60 e 70. Evoca, também, personagens controversos como Andreas Baader e Gudrun Ensslin, fundadores da Fração do Exército Vermelho, também conhecido como grupo Baader-Meinhoff.
São trajetórias trágicas, de personagens que viveram com intensidade fora do comum. Para interpretá-las, Andres Veiel reuniu um elenco à altura. August Diehl faz um convincente Vesper, dilacerado entre a herança intelectual do pai e uma época que o levava ao extremo oposto. É autor do livro considerado um dos grandes depoimentos sobre sua geração, ''A Viagem'' (Die Reise). Lena Lauzemis compõe uma Gudrun muito forte, presença que cresce à medida que a história avança. O Andreas Baader de Alexander Fehling ocupa uma posição um tanto secundária, mas aqui é questão de foco.
E o foco estava posto mais nesse casal assimétrico, Vesper e Gudrun. Só se compreende um caso de amor terminal como este dentro de um contexto de ruptura histórica. O uso de material de arquivo, com imagens reais, conferem o peso gravitacional da realidade à ficção.


