Cannes - Numa da sessões mais baladadas deste festival, juntos black-tie e esporte ‘‘comme il faut’’ - em outras palavras, venha como estiver -, vips e imprensa lotaram a enorme sala Louis LumiSre para conferir uma prévia da superprodução (U$ 100 milhões declarados) ‘‘Gangs de Nova York’’. Martin Scorsese foi o mestre da cerimônia, que contou com a presença de Leonardo Di Caprio, Cameron Diaz e do produtor Harvey Weinstein, da Miramax. Antes de mostrar a edição resumida de seu filme, o diretor prestou uma homenagem a Billy Wilder, que morreu recentemente. Mas no momento de exibir alguns trechos que ele mesmo selecionou para o tributo, Scorsese foi personagem de uma involuntária cena coômica. Como fala muito depressa, seu tradutor não só não conseguia interrompê-lo como omitiu diversas observações preciosas que Scorsese fez sobre Wilder.
Em seguida, os jornalistas conheceram afinal o muito comentado ‘‘Gangs of New York’’, definido pelo diretor com ‘‘um filme que coloca a questão sobre o que são os Estados Unidos e o que é ser norte-americano’’. No argumento, a velha Nova York de 1846 a 1863, as primeiras levas de imigrantes, conflitos sangrentos entre ‘‘autóctones’’ e irlandeses, a Guerra da Secessão como pano de fundo. Pelo visto na tela, é possível esperar o máximo que Scorsese pode dar. E em Cannes parece ter chegado ao fim uma interminável especulação sobre problemas envolvendo o diretor e os irmãos Weinstein, poderosos donos da Miramax, durante as filmagens em Roma. Aparentemente pacificados, foram todos à coletiva. Mas quando estrear em dezembro nas salas, na alta temporada pré-Oscar, ‘‘Gangs de Nova York’’ vai ficar com a duração final de 2 horas e 45 minutos, 40 a menos que a versão pretendida por Scorsese. Não foi sem malícia que ele se referiu à ‘‘Crepúsculo dos Deuses’’, quando homenageava Billy Wiler, como um ‘‘filme de horror’’.

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