Schwarzkogler: arte & automutilação
WILMAR KLEIN
Schwarzkogler: arte & automutilação
ReproduçãoSchwarzkogler: membro do Acionismo teria se suicidado em 1969ReproduçãoCarlinhos Brown vai participar de Moro no Brasil, documentário dirigido por Mik KausrismakiNascido em Viena em 1940, onde, de 1957 a 1961, frequentou a Graphische Lehr und Versuchsanstalt (Instituto Experimental de Pedagogia e Artes Gráficas) - interessando-se, a princípio, pela obra dos mestres expressionistas de seu país, pela pintura informal e, depois, pelo teatro de Antonin Artaud e os trabalhos de Marcel Duchamp e do dadaísta Kurt Schwitters -, Rudolf Schwarzkogler tornou-se o mais jovem membro do Acionismo (Aktionismus), movimento efêmero surgido na capital austríaca nos anos 60, congregando artistas como Gunter Brus, Hermann Nitsch, Arnulf Rainer, Otto Muhl e Valie Export, entre outros. O grupo tornou-se conhecido por suas performances ritualísticas onde o corpo era utilizado como meio escultórico (além do corpo humano, nu ou seminu, animais mortos e esquartejados eram frequentemente utilizados nas Aktions). Porém Schwarzkogler - que realizou sua primeira performance em outubro de 1964 - foi mais longe do que todos os seus colegas, praticando em suas apresentações a automutilação e outras formas de ultraje ao próprio corpo. Por conta disso, toda uma mitologia foi criada em torno do artista: histórias sobre ele ter arrancado grande parte da pele com uma navalha e chegado a decepar o próprio pênis. Por fim, no dia 20 de junho de 1969, teria se atirado da janela de seu apartamento, o que causou a sua morte (que despencou da janela é certo, mas a hipótese de suicídio - embora plausível - nunca foi realmente provada).
Pois bem ... se você ficou interessado em saber mais sobre Schwarzkogler, recomendo a home page dedicada ao distinto cavalheiro . Digite www.brainwashed.com e clique, na sequência, Music, Axis Archives, Art e o nome do artista. Você encontrará, além de uma biografia em italiano, textos em inglês sobre Aktions realizadas em Viena entre 1965 e 1966 e depoimentos de Hermann Nitsch, Edith Adam (que foi mulher de Rudolf) e Heinz Cibulka (amigo e parceiro do artista em suas performances).
Em tempo: um dos discos mais inventivos lançados na Inglaterra em 1980, o LP (com a ridícula tiragem de 500 cópias) To the Quiet Men from a Tiny Girl, da banda experimental Nurse With Wound, trazia a seguinte nota de capa: Dedicado a Rudolf Schwarzkogler, que matou-se em nome da arte por meio de sucessivos atos de automutilação. (Para tentar conseguir o álbum, relançado em CD em 1994, sugiro uma visita ao site www.worldserpent.demon.co.uk ou www.ab-cd.com).
Patchwork musical
Radicado no Rio de Janeiro desde 1989, o cineasta finlandês Mika Kausrismaki (diretor dos interessantes mas pouco vistos Helsinki-Napoli All Night Long, Amazon e Tigrero) iniciou o ano rodando seu novo longa, o documentário Moro no Brasil, sobre manifestações musicais populares do nosso país (rodas de samba nos subúrbios cariocas, música nordestina , indígena, o jongo de Mestre Darci e várias outras). Entre as participações já confirmadas estão Hermeto Pascoal, Naná Vasconcelos, Carlinhos Brown e Gabriel Moura (vocalista do grupo Farofa Carioca e um dos narradores do filme). A exemplo de Buena Vista Social Club, do alemão Wim Wenders, o documentário de Kaurismaki é um projeto patrocinado pelo canal de TV Arte, da França. As filmagens deverão estar concluídas até maio e o resultado, antes de ser exibido no Brasil, será apresentado na TV francesa. (Quanto ao disco com a trilha sonora - previsto no projeto - , tenho o palpite de que venderá muito mais no Exterior do que por aqui ...)





