Edgard Scandurra é bacana. Além de tocar guitarra muito bem, parece ser o cara que todos os colegas adoram. Mesmo quando o Ira! ainda estava na ativa, arrumava tempo para dar canjas preciosas em trabalhos alheios. Nos projetos fora da banda, sempre contou com amigos.
''Ao Vivo'', lançado em CD e DVD, resume bem os últimos 25 ou 30 anos de sua vida. O show realizado no ano passado no teatro Fecap, em São Paulo, tem músicas do Ira! (famosas e nem tanto), coisas de seus discos solo e muitos convidados (também famosos e nem tanto).
O repertório traz três inéditas: ''Não Precisa me Amar'', ''A Dança do Soldado'' e ''Kaput'', que seguem a fórmula elegante: timbres singulares, frases de guitarra envolventes e letras confessionais, dispensando refrão pegajoso.
Scandurra nunca correu atrás da canção fácil. A mais popular aqui é ''Tolices'', do início do Ira!. Não se encaixa entre aquelas que fisgam rápido. É uma balada juvenil sempre resgatada pela banda, que foi ganhando espaço no afeto dos fãs.
Fernanda Takai canta com Scandurra em momento fofo. Zélia Duncan e Jorge Du Peixe também são convidados. Ele escalou ainda duas cantoras amigas que o grande público precisa conhecer, logo: Bárbara Eugênia (arrebatadora em ''Culto ao Amor'') e Charlie Crooijmans, que divide com ele os vocais em ''Our Love Was'', raro número romântico do The Who, banda-ícone do guitarrista.
Falando em idolatria, uma surpresa: Guilherme Arantes sobe ao palco para cantar o hino setentista ''Meu Mundo e Nada Mais''. Os versos sobre alguém encastelado no quarto devem ter batido forte no adolescente Scandurra, que retoma o personagem do jovem tímido e introvertido em muitas de suas letras.
Os convidados não ofuscam o dono da festa. Jeitão tranquilo, Scandurra continua a mostrar seu talento.
Serviço-
AO VIVO
Artista - Edgard Scandurra
Gravadora - TV Cultura
Quanto - R$ 40 (DVD) e R$ 25 (CD)

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