Duas famílias rivais - a Redon e Taques, de ‘‘quatrocentões decadentes’’, e a Ghirotto, de novos ricos - vão ocupar o horário nobre da tevê a partir de hoje. Com ‘‘Os Ossos do Barão’’, novela a ser exibida às 20h30, o SBT vai falar da decadência dos barões do café, nos anos 40 e 50, numa trama escrita originalmente por Jorge Andrade - e que foi ao ar pela primeira vez nos anos 70 na Globo - agora adaptada por Walter George Durst.
A bela Ana Paula Arósio será a protagonista Isabel, filha de Miguel Caldas Penteado - um aristocrata ainda detentor de poder econômico - e vive um romance proibido com Martino (Tarcísio Filho). Ainda estão no elenco Ewerton de Castro (Luis Eulálio), Juca de Oliveira (Egisto), Othon Bastos (Miguel), Thales Pan Chacon (Otávio), Bete Coelho (Norma) e Mika Lins (Noêmia), entre outros. A direção é de Antônio Abujamra.
As cenas que marcam a estréia da novela registram uma festa de grã-fino sendo invadida por um cavalo. Mesas caindo, copos quebrando, gente correndo, confusão geral. Imagine agora a situação sendo transformada em cena de novela. Quem conferir o primeiro capítulo de ‘‘Os Ossos do Barão’’ também irá ver imagens em câmera lenta, com uma ópera de fundo musical. Detalhes como uma gota de sangue caindo dentro de um copo de martini ou uma imagem feita do alto de um copo de vinho se espatifando no chão, tudo em câmera lenta e filmado em 16mm, darão às cenas um tom cinematográfico.
Outro recurso usado pelo designer e produtor de cinema Ricardo Nauenberg é o da edição de imagens feitas a partir de uma microcâmera colocada na barriga de um cavalo. ‘‘O telespectador verá as patas do cavalo e objetos se quebrando, pessoas fugindo em sua frente’’, explica. ‘‘Ou, ainda, imagens que retratam a visão do animal, como se o telespectador estivesse no lugar dele’’.
As primeiras cenas foram gravadas num antigo casarão do bairro do Ipiranga, em São Paulo, e produzidas por Nauenberg. A festa elegante comemora a premiação do cavalo vencedor de uma importante corrida. Martino Ghirotto (Tarcísio Filho), dono do animal, é barrado na porta do casarão. Revoltado, ele volta ao local acompanhado: traz o próprio cavalo para animar o evento.
Para isso, como as cenas foram feitas separadamente, um carrinho com uma vara de madeira, referente à altura dos olhos do cavalo, foi usado para que os figurantes e atores pudessem se orientar e olhar na direção certa. ‘‘O objetivo é fazer com que o telespectador se sinta no meio da bagunça’’, diz Nauenberg.

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