Quase dez anos separam ''Sayonara'', de Joshua Logan, de 1957, e ''Caçada Humana'', de Arthur Penn, de 1966. Dez anos durante os quais a carreira de Marlon Brando entrou em parafuso e o maior astro da tela nos anos 1950, o emblema de toda uma geração, acumulou fracassos retumbantes. Brando sempre teve um desprezo olímpico pelas convenções de Hollywood. Isso fazia parte de sua arrogância, como artista e como homem. Hollywood retribuiu, regozijando-se com o que parecia sua derrocada.
Logan teve um grande começo, com êxitos como ''Férias de Amor'', com Kim Novak e William Holden, e ''Nunca Fui Santa'', com uma Marilyn Monroe particularmente excitante. Foi quando veio a diluição de ''Sayonara'', baseado no romance de James Michener, com Brando como oficial americano que se envolve com cantora japonesa, durante a Guerra da Coréia. O filme é ''Madame Butterfly'' sem Puccini e, embora bem feito, é aflitivo na sua mediocridade. O Brando apaixonado pela japonesa transferiu a ficção para a vida e se casou com uma suposta oriental - Anna Kashfi. Descobriu que era uma americana disfarçada e o divórcio virou baixaria.
''Caçada Humana'' é de outra linhagem. Arthur Penn fez o maior western psicanalítico do cinema - ''Um de Nós Morrerá'', com Paul Newman como Billy the Kid. Prosseguiu aqui com a psicanálise da América, mostrada como uma sociedade doente, que só consegue resolver seus conflitos por meio da violência. Brando é excepcional como o xerife que tenta manter a lei e a ordem no fim de semana em que a caçada a um fugitivo vira diversão sangrenta. O filme foi remontado à revelia do diretor, mas o espectador, que não tem o que seria o ''Caçada Humana'' ideal na cabeça, só pode achar ''Caçada Humana'' um monumento. O filme é ''Tiros em Columbine'' como ficção, enfatizando a idéia do revólver como substitutivo do falus. Os DVDs da Warner (''Sayonara'') e Columbia (''Caçada Humana'') não trazem os extras que mereciam, mas o segundo é daqueles que cinéfilo não pode deixar de ter em casa.

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