Sauípe quer atrair mais estrangeiros
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Marcia Furlan<br> Agência Estado 
São Paulo - O plano de reestruturação que está sendo conduzido pelo complexo Costa do Sauípe, na Bahia, prevê que em 2006 metade dos visitantes seja composta por turistas estrangeiros. A intenção dos gestores do empreendimento é fugir da sazonalidade brasileira, que concentra o movimento nos meses de verão e joga a ocupação para baixo nos meses de maio e junho. Atualmente, os estrangeiros que frequentam os 1.426 apartamentos dos cinco hotéis de bandeiras internacionais e seis pousadas que compõem o empreendimento totalizam 30% do total de hóspedes.
Para atingir o objetivo, a empresa está realizando um trabalho de promoção de Sauípe como destino turístico. Um agente de Buenos Aires já faz a representação do empreendimento no Mercosul, cobrindo também Chile, Uruguai e Paraguai. Na Europa, Sauípe está sendo divulgado em uma agência da Espanha com atuação também em Portugal e em setembro devem começar a funcionar as representações da Itália, França, que centraliza as ações dos países de língua francesa, e Alemanha, englobando também a Holanda.
Há possibilidades ainda da Costa do Sauípe começar a ser divulgada em Nova York até dezembro. Segundo o presidente Alexandre Zubaran, a empresa investirá US$ 1 milhão nestas ações internacionais, que prevêem campanhas publicitárias, treinamentos, promoções. A orientação é explorar outros atrativos do empreendimento, como a riqueza ecológica da região, diversidade cultural, culinária. ''Queremos fugir do produto tradicional mar e sol. Vamos atender a esta demanda mas também queremos investir na segmentação'', explicou.
''Só praia não é vantagem competitiva.'' Zubaran explicou que Sauípe está pegando carona no trabalho realizado pelo governo da Bahia e até o governo federal em divulgar o turismo do nordeste brasileiro. As ações neste sentido no exterior já duplicaram no ano passado e a previsão é de que em 200 4 tripliquem.
Uma das medidas que podem gerar maior fluxo de turistas é a autorização para os aeroportos da região receberem vôos internacionais, fazendo com que as capitais também sejam porta de entrada ao País, prerrogativa hoje apenas dos aeroportos d o eixo Rio-São Paulo.
Além das ações internacionais, a empresa investiu também R$ 1 milhão na primeira campanha publicitária do empreendimento para o mercado brasileiro, que tem como slogan ''Aqui a Gente Sabe Viver!'' e na construção da Casa Costa do Sauípe em São Paulo. Local izada em um endereço nobre da capital, na Av. Brasil, a casa tenta reproduzir o ambiente do complexo. O objetivo é apresentá-lo aos visitantes e fornecer informações ao mercado, parceiros e operadores de turismo. A casa, projetada pelo mesmo arquiteto qu e desenhou a Costa do Sauípe, André Sá, ocupa uma área de 1.800 metros quadrados, em frente à Igreja Nossa Senhora do Brasil.
Todas as medidas fazem parte do plano de gestão integrada lançado este ano e batizado de Sauípe 2006 que visa elevar os índices gerais de ocupação. O projeto previa uma média de 55% para 2004; 62% para 2005; e 70% para 2006, mas no primeiro semestre deste ano a ocupação já chegou a 52%, frente a 48% do ano passado, apesar da baixa temporada de maio e junho.
Isto ajudou a explicar o lucro do segundo trimestre do ano, de R$ 217 mil, o primeiro registrado pelo empreendimento lançado em 2000, pelo fundo de pen são dos funcionários do Banco do Brasil (Previ). ''O desafio agora é manter este resultado'', afirmou Zubaran.
As expectativas para este ano eram de um acréscimo de faturamento de 16% mas, segundo o executivo, os números podem superar esta projeção, chegando a 20%, sobretudo porque tradicionalmente o segundo semestre é mais forte e ainda em razão da reativação da economia. Em 2003, o complexo faturou R$ 130 milhões. A meta de ocupação fixada para 2006 de 70% representará um grande passo para a Costa do Sauípe chegar ao seu ponto de equilíbrio. É um número calculado com base no potencial do complexo e que corresponde ao mesmo tempo à receita necessária para suportar o custo mensal de manutenção da infraestrutura do empreendimento. É também um porcentual classificado como seguro pelo setor de turismo.
''Quando se chega a 75% ou 77% de ocupação significa que já estamos dizendo não a nossos clientes em alta temporada'', explicou Zubaran. Valores superiores a esta média podem indicar, completou ele, a necessidade de novos investimentos para ampliação. O executivo adiantou contudo que não existem por enquanto projetos deste sentido.


