Saudosismo de Carnaval
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terça-feira, 09 de fevereiro de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Os idosos que fazem parte do projeto Grêmio Comunidade, no Grêmio dos Operários de Londrina, tiveram uma tarde diferente na segunda-feira de Carnaval. Acostumados a se reunir toda semana para dançar a dois, em bailes onde não faltam ritmos como bolero e forró, eles não hesitaram em cair na folia animada e mostrar que também têm samba no pé e muita disposição.
Mais de cem pessoas da terceira idade foram agraciadas pelo "Carnaval das Marchinhas Atravessando Gerações" e relembraram os áureos tempos das marchinhas ao som da Orquestra de Metais de Londrina. Músicas tradicionais como "Mamãe eu quero" e "Sacarrolha" embalaram a comemoração dos foliões, que não estavam fantasiados, mas com suas melhores roupas de festa para curtir o baile.
Desde 2008, o projeto do Grêmio promove semanalmente tardes com atividades festivas e dançantes para os idosos. "É uma forma de se socializarem, fazerem amizades e se divertirem. Vem até mesmo gente de fora de Londrina para participar do grupo", conta Delcio Garcia Martin, presidente do local. A festa de Carnaval, segundo ele, veio a somar o que é realizado e resgatar o que muitos viveram na juventude, quando o ritmo reinava nos salões e ruas da cidade. "A grande maioria frequentava bailes de carnaval quando mais novos. Mas, com o tempo, esse costume foi se perdendo. Hoje, eles puderam reviver o passado e comemorar."
Dentre os mais animados, estava o casal Marinalva da Silva, de 56 anos, e João Baptista de Assis, de 80 anos, que se conheceu no grupo e reatou o namoro de sete anos ontem, na festa. "Não consigo mais ficar sem dançar. Foi ele, inclusive, que me ensinou vários passos; é o melhor professor que existe. O carnaval não seria o mesmo sem a companhia dele", contou Marinalva, com um grande sorriso nos lábios. Assis, por sua vez, retribuiu o elogio e disse que admira a animação da parceira, com quem dança todos os ritmos. "Prefiro as músicas mais envolventes, mas não existe tempo ruim para nós. O que tocar dançamos com a mesma alegria. Não ficamos parados por nada", garantiu.
Outro casal do grupo que aproveitou o baile de carnaval para cair na folia foi Rosalina Martins de Melo, de 70, e Augusto Gomes, de 78. Ela ex-sanfoneira, e ele nascido em Recife, ambos gostam de carnaval e ficaram saudosistas com a tarde de marchinhas. "É bom mudar o ritmo de vez em quando. Adoramos dançar, aprendemos um com o outro e o carnaval à moda antiga é muito animado."
Mas quem estava sozinho também se divertiu, como Geraldo dos Santos, um dos integrantes mais antigos do grupo. "Não falto a nenhum encontro do grupo e, hoje, não poderia ser diferente, até mesmo porque estava ansioso por isso. Essa festa é uma parte da nossa cultura que praticamente não vemos mais. Lembrei meus tempos de quando era jovem."
Com patrocínio do Programa de Incentivo à Cultura (Promic), o projeto visa resgatar a diversão dos famosos bailes da maior festa popular brasileira de forma democrática. Desde sexta-feira, a banda vem se apresentando em várias regiões da cidade. Amanhã, o projeto encerra com a realização de um cortejo com o "Trem das Marchinhas". A banda vai tocar em cima de uma minilocomotiva, percorrendo avenidas e ruas da região sul de Londrina, iniciando no Jardim Piza, seguindo pelo Jardim Monte Belo, Parque Ouro Branco e Indústrias, Conjunto São Lourenço, União da Vitória, Jardim Tarobá, finalizando no Conjunto Cafezal, na Rua Carmo Antonio Salum, próximo ao Colégio Estadual Professora Maria José Balzanelo Aguilera.


