Saudosismo a bordo do clássico DC-3
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de agosto de 2000
Cláudio Lucchesi Agência Estado 
O cenário tem tudo dos anos 50 o pequeno aeroporto, o embarque em frente de um hangar, o avião, a hélice fumegando na partida dos motores. Mas, com um pouco de imaginação, pode-se sonhar com a cena final de Casablanca. Nada como um clássico. E nenhum avião foi mais clássico que o Douglas DC-3. Para muitos, o melhor avião que já existiu. E é exatamente todo este sabor de romantismo e nostalgia que se pode sentir agora, graças a uma iniciativa do Aeroclube do Rio Grande do Sul (ARGS), que em março deste ano iniciou o primeiro serviço de vôos históricos já criado no Brasil, uma modalidade de turismo muito apreciada na Europa e nos Estados Unidos, onde são utilizados não só o DC-3, mas outros aviões de passageiros clássicos, como o Douglas DC-4 e até o Junkers Ju-52/3m, dos anos 30.
Localizado em Belém Novo, ao sul de Porto Alegre, o ARGS preparou toda uma estrutura para os vôos com o DC-3, o que inclui uma tripulação selecionada, com duas aeromoças, todos usando impecáveis uniformes dos anos dourados, e um serviço de bordo que não inclui só refeições e bebidas, mas oferece toda uma trilha sonora de época e mesmo as revistas de bordo são apropriadas um invejável conjunto de edições de O Cruzeiro! Com tudo isso, é impossível não experimentar um delicioso e romântico vôo ao passado.
E o ARGS pretende ir além, pois já foram iniciadas as obras de um terminal de passageiros, obviamente construído seguindo o padrão existente no Brasil dos anos 50.
Todo o projeto começou por iniciativa de quatro membros do ARGS, que formam hoje a tripulação de vôo do DC-3: Sérgio Fraga Machado (um ex-comandante, e hoje gerente de instrução do aeroclube), Leonardo Bernardo Neto (um piloto de jato MD-11 da VARIG), Eduardo Letti (piloto de Boeing 737, também da VARIG) e Paulo Douglas Colvara (um piloto agrícola). Juntos, eles compraram o DC-3 em dezembro de 1997, e então o doaram ao ARGS que, com o apoio de várias empresas, iniciou a restauração da aeronave de 56 anos, nas próprias instalações do aeroclube.
O passo decisivo, entretanto, veio em fevereiro de 1999, quando o ex-presidente da Varig, Fernando Pinto, visitou o ARGS e se encantou pelo projeto. Com o empenho pessoal de Pinto, o DC-3 foi levado para as oficinas de manutenção da Varig no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, onde foi realizado então um trabalho de restauro completo, de cada detalhe, que levou nada menos que oito meses. O resultado foi algo nunca visto antes no Brasil em termos de aeronaves antigas, e permitiu o início dos vôos históricos para passageiros algo completamente inédito no País.
Estes vôos duram cerca de 30 minutos, e são realizados sobrevoando a belíssima região do litoral gaúcho ao sul de Porto Alegre, podendo ainda incluir passagens sobre a serra gaúcha. Aos olhos dos passageiros, se descortina um panorama de lagoas naturais, restingas, praias, montanhas e até canyons. O Douglas DC-3 oferece acomodações de 28 lugares, toalete e galley.
Os interessados em curtir este vôo no tempo podem ter maiores informações, e reservar seus lugares, diretamente com o ARGS, pelo telefone (0**51) 245-6060.


