SAUDANDO AS
TRANSGRESSÕES
Revista
‘‘Libertárias’’
reúne artigos
que abordam
as relações entre
arte e anarquia
Nelson Sato
Reprodução
A filosofia anarquista é incompatível com qualquer grau de submissão. É possível dizer o mesmo da arte? A quem se interessar, algumas respostas a essa questão podem ser conferidas na revista Libertárias, cujo segundo número reúne uma série de artigos sobre o tema.
A revista, publicada em São Paulo pela editora Imaginário, é explosiva. Inclui um texto do surrealista André Breton e poemas do dramaturgo radical Antonin Artaud e do beat Lawrence Ferlinghetti. Rondando várias páginas, a fúria das vanguardas artísticas do começo do século é retomada de vários ângulos - alguns, porém, em clave meramente saudosista.
ReproduçãoAntonin Artaud: poemasO futurismo é lembrado pelo crítico de arte italiano Luciano Caprile. Hans Richter comparece narrando um happening no Cabaré Voltaire, reduto dos dadaístas boêmios de Zurique durante a 1ª Guerra. Ainda sobre dada, Dominique Berthet e Jean-Jacques Lebel conferem ao movimento uma atitude transgressora sem similares, da qual nem a arte escapa.
Uma de suas citações, aliás, define a arte como ‘‘vasta trapaça, que consiste em servir de válvula de escape à moral’’. Outra lembra que ‘‘o título de artista é um insulto’’ e a ‘‘denominação arte é a anulação da igualdade entre os homens’’. Com 80 páginas, esta edição de Libertárias chega aos leitores como um estimulante manual de ‘‘maus modos’’ estéticos e políticos.
O próximo número vai tratar de sexo e anarquia. Aos simpatizantes, convém lembrar que a editora da revista mantém outros títulos de mesma linha em seu catálogo - entre eles, destacam-se os livros Surrealismo e Anarquismo, Escritos Revolucionários, Reflexões sobre a Anarquia e o Almanaque do Amor (este de autoria do londrinense Bernardo Pellegrini).
O endereço para contatos é: Editora Imaginário. Av. Pompéia, 2549 conj. 01. São Paulo - SP - CEP 05023-001. Telefax (011) 864-2964. E-mail:[email protected].

mockup