Ainda não faz um ano da morte de Jorge Amado e as três pessoas mais próximas do escritor - sua mulher, seu filho e sua filha - elegeram uma forma adequada e bonita de enfrentar a perda: escreveram um livro.
Mais do que uma homenagem - ele já teve tantas, uma a mais não acrescenta grande coisa -, ''Jorge Amado - Um Baiano Romântico e Sensual'' é um livro emocional. Revela a cada página a profunda relação entre Zélia, João Jorge e Paloma e o chefe indiscutível da família Amado.
Os depoimentos reforçam, mais uma vez, algumas das qualidades tão conhecidas de quem teve a oportunidade de, em maior ou menor grau, conviver com Jorge: sua inteligência e alegria, simplicidade, simpatia e generosidade.
É, portanto, um livro que vale a pena ser lido por aqueles que gostavam do escritor, que o admiravam e viam nele um exemplo de ser humano. Não são poucos.
Não é, no entanto, um registro que possa acrescentar muito no que diz respeito a novas informações sobre o autor e a sua obra. Não traz novos documentos ou revelações.
A única parte realmente a destacar é a descrição feita pela filha Paloma dos últimos anos de vida de Amado. Ela conta como Jorge, homem vigoroso e saudável até completar 81 anos, foi sendo progressivamente minado por doenças que, apesar de sua resistência em se deixar abater, terminaram por afastá-lo da literatura, da vida pública e, nos últimos meses, até mesmo de suas pessoas mais queridas.
Primeiro, foi um infarto do miocárdio, depois problemas na visão que o impediram de escrever e, finalmente, o agravamento de um quadro depressivo que o isolou do resto do mundo. Foi um longo e doloroso declínio, que chegou ao fim em 6 de agosto de 2001, pouco antes de Amado completar 89 anos.
Nos últimos anos, todo o Brasil acompanhou as entradas e saídas do escritor baiano do hospital. Mas o relato triste e sincero de Paloma revela a dimensão privada e familiar de seu sofrimento. É a principal contribuição do livro.
Já o capítulo escrito por Gattai, ''Ai, que saudades de Jorge!'', é certamente emocionante, como não poderia deixar de ser devido à grande história de amor vivida pelo casal. Mas não acrescenta em relação ao que ela própria já escreveu ou a fatos relatados por Jorge Amado em ''Navegação de Cabotagem'', a quase biografia lançada pelo escritor em 1992.
Finalmente, a parte escrita por João Jorge, intitulada ''A completa verdade sobre as discutidas aventuras do comandante Jorge Amado, capitão de longo curso'', não traz, na realidade, novas verdades sobre o escritor.
Por fim, vale destacar as boas fotos, muitas delas clicadas por Zélia Gattai, e que provocam gostosas lembranças do escritor. Aliás, aí está o mérito do volume. É um livro para matar saudades.
SERVIÇO: Jorge Amado - Um Baiano Romântico e Sensual. De João Jorge Amado, Paloma Jorge Amado e Zélia Gattai. Editora Record. R$ 30 (224 págs.)

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