Satyros completam dez anos
Satyros completam dez anos
A companhia teatral Os Satyros está completando dez anos e um dos objetivos para 1999 é abrir nova sede em São Paulo, que os acolheu em 1989, logo depois de sua criação em Curitiba. A companhia instalou-se num teatro no bairro do Bexiga e rapidamente conquistou o público e a imprensa da cidade. Suas produções ganharam páginas inteiras nos jornais, mas os inquietos artistas não esquentaram lugar - em 1992 deixaram a paulicéia e mudaram-se para Portugal.
Estão lá até hoje, mas agora querem ampliar os endereços - além de Curitiba e Lisboa, onde mantêm escolas com oficinas regulares de teatro, querem abrir um escritório em São Paulo. Aos poucos os laços vão sendo reatados: entre abril e maio o grupo se apresenta no Espaço Funarte com Os Cantos de Maldoror.
Temos contato com São Paulo desde 1995, afirma Ivam Cabral, um dos atores do grupo. Agora parece que vai pintar alguma possibilidade da gente ter um espaço lá, se bem que isso também é secundário. O mais importante para nós é a certeza daquilo que queremos fazer.
O que o Satyros pretende é testar se o terreno está sólido. A volta à paulicéia será feita com cuidado, a partir dessa temporada. Nesse período estaremos nos estruturando e analisando os próximos passos. Nos foi oferecido um espaço e estamos em estudos, pesando prós e contras, explica.
Criar raízes paulistanas é uma vontade acalentada há tempos. Segundo Cabral, o retorno só não aconteceu ainda por absoluta falta de condições financeiras e estratégicas. Além disso, Portugal e Brasil tomam muito do nosso tempo.
Quase sete anos separam os agitos da companhia na paulicéia com este ensaio pelo retorno. Será que continuam sendo lembrados? Ivam Cabral acredita que sim: A gente sempre manteve algum contato com a cidade via críticos de teatro, via repórteres da área de cultura, que ao longo desse tempo ficaram nossos amigos. Eles sempre insistiram muito para que a gente retomasse o trabalho desenvolvido lá.
Ainda assim há um pouco de receio, mas vale a pena a investida. Para o ator São Paulo é uma cidade especial, é o coração cultural do Brasil, onde as coisas pulsam, as idéias acontecem. Dá medo, mas a gente quer ver o que acontece.
Este projeto começará a vingar quando a trupe lá estiver, em plena temporada paulistana, o que só vai acontecer daqui a dois meses. Antes disso, porém, há outros compromissos a ser honrados.
Como agora, por exemplo: a companhia está no Rio de Janeiro para cumprir temporada de Medea, que estréia dia 19 no Teatro Glória, e permanece em cartaz até 14 de março. Volta ao Paraná a tempo de participar do 8º Festival de Teatro de Curitiba com Os Cantos de Maldoror e Medea, na mostra paralela (fringe). Depois respira fundo e mergulha na paulicéia desvairada.
(Z.C.L.)





