O primeiro ''The Stepford Wives'' (Esposas em Conflito), realizado em 1975, já não era nada do outro mundo, e então envelheceu conceitualmente, o que o deixou cheirando a mofo. Mas pelo menos naquele momento o inglês Bryan Forbes soube como manter a atmosfera de mistério e suspense da proposta feminista elaborada por Ira Levin (''O Bebê de Rosemary'') em sua novela. Agora, três décadas depois, o diretor Frank Oz e o roteirista Paul Rudnick optaram por transformar o argumento em comédia. E falharam duplamente: não apenas jogam pelo ralo a idéia intrigante e ameaçadora de Levin, como também remetem o humor ao nível esfarelado/risível que se vê todas as noites em qualquer sitcom televisiva.
''Mulheres Perfeitas'', outro lançamento nacional a partir de hoje (confira a programação de cinema na página 2), coloca de início Joanna (Nicole Kidman) como a executiva de TV que acaba de ser despedida. Ela e Walter (Mattew Broderick) se mudam para a pacata cidade de Stepford para viver uma vida tranquila, longe do frenesi urbano. Encontram uma comunidade de aparência perfeita, principalmente as mulheres. Logo descobrem que algo estranho se passa nos bastidores. Por trás da ''perfeição'' capaz de providenciar versões dóceis e servis de esposas liberadas estão Christopher Walken e Glenn Close.
A metáfora do controle masculino é tão clara quanto obsoleta (há controvérsias, mas o filme não tem estofo como arena de discussão). Também não se trata de crítica de teor social ou eficaz sátira sobre a guerra dos sexos. Restam a versatilidade de Nicole acentuando a juvenil imaturidade de Broderick e a exuberância de Bette Midler, que acabam valendo uma visita ao cinema. (CELJ)

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