SÁTIRA SERTANEJO Uma dupla 'de virá os zóio'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de maio de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A música ''Nóis Só Qué Virá Os Zóio'' já é hit nas rádios de todo o País. A faixa faz parte do CD ''Dois Amigos, Dois Irmãos'', que a dupla sertaneja de Piracicaba Cezar & Paulinho acaba de lançar pela Warner. Há poucos dias, eles passaram por Londrina, onde cantaram na festa de aniversário da rádio Paiquerê, além de terem circulado por algumas emissoras para divulgar o novo trabalho, o vigésimo da carreira.
''Com esse disco, quisemos passar uma mensagem sobre a importância da amizade, do companheirismo'' diz Cezar. ''O repertório traz músicas românticas e dançantes incluindo gêneros como rastapé, frevo e xote. Em algumas letras, colocamos sátiras, que é uma coisa que sempre deu certo. Ele dá continuidade à linha dos álbuns anteriores com a gravação de duas ou três faixas de música de raiz atualizadas com novos arranjos, porque a gente é do mato mas conhece a cidade. A idéia é não perder a identidade, não mexer em time que está ganhando''.
Uma das novidades é ''Amor Bandido'', uma balada ''pop'' com letra do maringaense Di Cesar. ''É um ritmo que estamos gravando pela primeira vez'' revela. Outro compositor do Paraná que aparece nos créditos é o londrinense Praense, que assina ''Nóis Só Qué Virá Os Zóio'' em parceria com Paulo Azarias. O CD foi produzido por Manoel Nenzinho Pinto, Paulo Debétio e o próprio Cezar.
Realizando 15 shows por mês, eles contam que o rádio é o grande aliado na conquista do público. ''A televisão é complementar. Já fomos na Xuxa na véspera de um show e não acrescentou mais platéia ao que já tínhamos naquela temporada'' observa. Adepto de ingressos baratos, ele afirma que ''quem vai ao shows da dupla é pobre, já que 95% da população das cidades é pobre''.
Há quase três décadas animando platéias pelo interior do país, Cezar & Paulinho colecionaram histórias pitorescas ao longo da trajetória. Lembram de uma vez, no começo da carreira, quando foram se apresentar num circo. ''Chegando lá, o dono perguntou se tínhamos trazido o borderô (conferência da bilheteria). Eu não sabia do que se tratava e perguntei ao meu irmão, que me mandou inventar que ele estava com febre. A gente pensou que borderô era o mesmo que secretário ou coisa parecida'' conta Cesar.
Um outro episódio engraçado ocorreu pouco anos depois, também por causa da caipirice da dupla. Ignorante das modernas conquistas tecnológicas, Cezar teria pedido para João Paulo (cantor sertanejo falecido que fazia dupla com Daniel) emprestar-lhe uma calça branca para ir a um casamento. Na ocasião, Cezar morava em Brotas (SP) e João Paulo em Pederneiras (SP). O grotesco da história é que o primeiro teria pedido para o amigo enviar a peça, pasmem, por fax.


