Sarkovas decifra regras dos financiamentos culturais
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sexta-feira, 23 de setembro de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Considerado um dos melhores especialistas em patrocínio empresarial da América Latina, Yacoff Sarkovas, ministrou ontem, no Teatro Zaqueu de Melo, a palestra ''Fundo Público: Da Cidade para a Cidade - Análise Crítica das Leis de Incentivo''. O evento fez parte da 3 Conferência Municipal de Cultura, que encerra-se amanhã, e teve como mediador Paulo Lima, do Sindicato dos Bancários, além dos debatedores Valdir Grandini, coordenador da Incubadora de Projetos Culturais e Caio Cesaro, cineasta e produtor cultural.
Em sua explanação, Sarkovas, que há 20 anos dirige a Articultura, em São Paulo, empresa especializada em planejamento estratégico de patrocínio e projetos culturais e de responsabilidade social, destacou a importância de se diferenciar claramente os tipos de financiamento culturais que classifica como: mercado consumidor, investimento social privado, patrocínio empresarial e investimento público. ''As pessoas precisam entender que patrocínio empresarial não tem nada a ver com incentivo à cultura'', afirmou.
Detentor do conceito de ''comunicação por atitude'', defende a idéia de que as empresas que queiram ter um projeto social ou cultural se preocupem em fundamentar o ''fazer'' antes de se preocuparem com mecanismos que divulguem as suas ações para promover uma boa imagem social.
Com estatísticas atualizadas sobre o mercado cultural, informou que estima-se que, entre 2004 e 2008, esse segmento crescerá 6,3% ao ano, sendo que a perspectiva de crescimento da economia global é de 5,7% ao ano. Atualmente, o montante de patrocínio das maiores empresas brasileiras giram em torno de R$ 3,2 bilhões por ano.
Sarkovas não deixou de citar que em um mercado cada vez mais competitivo e com a oferta crescente de produtos e serviços similares em preço e qualidade, o diferencial da marca estará ainda mais atrelada a ações que se identifiquem com o consumidor e promovam credibilidade. Campo fértil, segundo ele, para se trabalhar o conceito que investir em cultura é tão importante quanto em ações com caráter explicitamente social como creches e escolas. ''As pessoas estão cada vez mais críticas e exigem das empresas mais interação nas questões sociais e a cultura está incluída nisso'', comentou.
O consultor também enfatizou que o atual formato das leis de incentivo fiscal Lei Rouanet e Lei do Audiovisual , embora signifiquem as únicas formas dos produtores independentes terem acesso ao dinheiro público (cerca de R$ 700 milhões/ano), deseducam o empresariado com relação ao sentido genuíno do patrocínio e abrem brechas para o desperdício do recurso público. ''O ideal é não ter dedução fiscal porque isso corrompe o processo. O interesse privado se sebrepõe ao interesse público'', alegou. ''Infelizmente, a cultura não é prioritária. O poder público a trata como se fosse um bibelô, um carro importado'', acrescentou.
Referindo-se ao modelo de incentivo cultural de Londrina como o ideal, Sarkovas argumentou que ''a experiência local deveria ser espelho para todo o país''. Questionado sobre o programa do Sistema Nacional de Cultura apresentado pelo Ministério de Cultura (MinC), cujo termo de adesão foi assinado anteontem pelo secretário de Cultura Luciano Bitencourt e tem sido considerado como um avanço no processo de uma melhor sistematização do setor cultural, Sarkovas ressaltou: ''Certamente é uma peça importante, mas não enxergo essa ação integrada, articulada a uma estratégia de política pública, como vejo em Londrina. Aqui o fundamento da cultura está interligado com o de cidadania''.
No final, orientou para que os agentes culturais se espelhem nos sistemas de gestão das organizações sociais e ambientais para serem melhor sucedidos. ''Como elas não tinham leis de incentivo cultural, passaram a lidar com o 'mundo real' e conquistaram força de atuação e recursos'', ponderou.
Pré-Conferência de Teatro Na última quinta-feira, dentro da 3 Conferência de Cultura de Londrina, foram eleitos sete delegados para a área teatral Jackeline Seglin, Fernanda Fernandes, Silvio Ribeiro, Jaqueline Sassano, Luiz Fernando Silva, Edvandro Luise Sombrio e Ana Cristina Martins dos Santos, além de dois conselheiros da categoria Fernanda Fernandes e Silvio Ribeiro, da Escola Municipal de Teatro (EMT). Eles participam no domingo da votação das propostas culturais levantadas durante a conferência juntamente com mais 133 delegados. Os delegados representam 14 áreas culturais e seis regiões da cidade.
Veja a programação de hoje da Conferência de Cultura na página 4.


