Por trás da sua aparente simplicidade, a sardinha é muito saborosa, de preparo versátil, barata e ainda uma grande fonte de ômega 3, 6 e 9 (ácidos graxos que promovem diversos benefícios para a saúde, entre eles, a prevenção de doenças do coração), além de ser rica em proteína, cálcio, selênio, vitaminas B12 e D - nutrientes essenciais para a boa nutrição. Sinônimo de alimento saudável, pode ser feita grelhada, assada ou cozida.
Outro fator que garante sua qualidade é que é um peixe de água limpa: quando o mar está sujo, ela migra para águas profundas mais saudáveis. Vale lembrar que o incensado salmão consumido no Brasil normalmente é de cativeiro, alimentado com ração rica em ômega, mas que não preserva as mesmas propriedades do salmão importado, de águas profundas geladas.
Em Londrina, há nove anos o Don Quijote Petiscaria mantém no seu cardápio duas opções de sardinha, com receitas de origem espanhola: a Sardinha ao Alho e a Sardinha ao Molho Escabeche - que são curtidas no limão e no vinagre, respectivamente, e servidas em temperatura fria. "Talvez eu tenha sido a primeira casa de Londrina a oferecer a sardinha dessa forma e até hoje acho que são poucos os locais que oferecem sardinha no cardápio, talvez pela falta de hábito dos brasileiros de comerem peixe", observa o proprietário Miguel Alexandre Ferreira Mula, 41 anos, cuja família é de origem espanhola. No ambiente simples, que lembra um quiosque de praia, Miguel prepara os mais diversos petiscos com frutos do mar.
Apesar da falta de costume dos londrinenses – e até pela dificuldade de preparar sardinhas em casa – a cada 15 dias, em média, Miguel prepara dez quilos do peixe no bar. "As duas receitas, que acompanham muito bem uma cerveja gelada, eu aprendi por observação. Uma das receitas é de família, da minha avó Aurora Martinez, que deixou a receita por escrito, embora eu já tivesse ela guardada na memória", relata. Filho do espanhol Miguel Mula, que faleceu no começo deste ano, ele também acompanhou a abertura do restaurante O Espanhol e frequentemente ajudava os pais no negócio. "Fui aprendendo e tomando o gosto pela cozinha. Hoje sou responsável por todo o cardápio do meu bar", afirma, acrescentando que um dos pratos mais pedidos é a porção de pastéis de siri com queijo.
Mantidas sob refrigeração, as duas opções de sardinha servidas no bar rendem elogios e são servidas em temperatura ambiente, em porções com quatro unidades. No caso da Sardinha ao Alho (R$ 14,50/porção), os filés de sardinha crua são curtidos de cinco a sete dias em molho que leva limão, sal e alho fatiado. Servida em pequenos pedaços, regados a um bom azeite espanhol, não dá para não repetir, ainda mais acompanhado por um copo de cerveja gelada ao lado, num dia de calor.
Já a Sardinha ao Molho Escabeche (R$ 15,50/porção) diferencia-se da forma de preparo abrasileirada, feita em camadas, na panela de pressão. "Como a minha receita é da época da minha avó, ainda não existia esse tipo de panela e fazemos de forma diferente. Após limpar a sardinha, temperamos com sal, e fritamos. Depois é que ela vai ficar curtindo por sete dias em vinagrete com vinagre branco, sal, cebola e tomate", explica Miguel. Deliciosa e mais suave que a preparada com alho, vale a pena degustá-la, ainda mais que até a espinha fica curtida e chega a derreter na boca. Acho que até Dom Quixote esqueceria um pouco da luta contra os "moinhos de vento" e se renderia a esses quitutes.

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