''Sarapalha'' em versão operística
Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
A Pocket Opera Sarapalha, com texto de Guimarães Rosa, será a atração do Projeto Música nos Museus, hoje, às 19 horas, no Auditório Brasílio Itiberê, na Secretaria da Cultura, em Curitiba, com entrada franca.
No repertório, ópera de câmara em um ato, numa adaptação teatral de Renata Pallottini e música de Harry Crowll. Conta uma história em que a malária faz centenas de vítimas e transforma um povoado em cidade-fantasma invadida pelo mato.
Numa fazenda próxima, moram uma criada e dois primos que resolvem esperar a morte chegar. No elenco, a mezzo-soprano Josiane Dal Pozzo Zuliani é a criada, o tenor José Alberto Batistela é o primo Argemiro, e o barítono John Kennedy Pereira de Castro é o primo Ribeiro.
O fato de Harry Crowll e Guimarães Rosa serem conterrâneos chamou a atenção do músico que conheceu em criança o universo mineiro descrito pelo escritor. Na casa da minha avó, as empregadas falavam com um sotaque todo especial e busquei lembrar essa sonoridade para a ópera, conta Crowll. Ele diz que a escolha dos instrumentos também são providenciais, remetem à aridez do sertão.
O conjunto instrumental é composto pelos músicos Márcio Pimentel (oboé e corne-inglês), Júlio César Coelho (viola de arco e rabeca), Fabiano Zanin (gaita ponto) e Berchon Dias Jr. (percussão). Direção artística e regência de Daniel Bortolossi e preparação vocal de Denise Sartori.
O trabalho dos vocais é outro instrumento que Harry buscou usar na ópera. O sotaque do sul tende a subir no final das palavras, e o de Minas Gerais é ao contrário, desce. Tivemos um exercício vocal bem interessante, esclarece. A peça deve entrar em temporada no próximo ano no Teatro da Federação Espírita do Paraná e participar do Projeto Pocket Opera do Sesc Vila Mariana, de São Paulo.
Pocket Ópera Sarapalha, hoje, às 19 horas, no Auditório Brasílio Itiberê (Rua Ébano Pereira, 240). Entrada franca.





