A Bienal do Livro do Rio conseguiu um trunfo na rivalidade com a de São Paulo. Já está confirmado: o Prêmio Nobel de Literatura deste ano, José Saramago, inaugura no dia 20 de abril a feira carioca, que homenageia Portugal. ‘‘A nossa será uma bienal com ênfase no glamour’’, diz Sérgio Machado, presidente da editora Record e do Sindicato dos Editores de Livros, promotor do evento carioca.
Segundo ele, 12 escritores de língua portuguesa virão como convidados. As duas feiras se chocam pela primeira vez - ambas acontecem entre abril e maio do próximo ano. A Bienal paulista virou Salão com a provável pretensão de se tornar anual, o que, segundo os organizadores da feira do Rio, esvazia ambos os eventos.
O segundo vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Raul Wassermann, organizador da mostra paulista, diz que a coincidência de datas se deve a que o Rio antecipou a sua feira de agosto para abril depois que o Salão já estava programado, ‘‘talvez por espaço mais barato no Rio Centro’’. Sérgio Machado não confirma e diz que a mudança aconteceu mesmo para concorrer com a feira paulista, ‘‘porque não havia outra saída. A gente foi obrigado a mudar, porque se a de São Paulo acontecesse antes, atrapalharia a nossa’’.
Machado acredita que a tendência é que a mostra paulista volte a ser bienal.
‘‘A gente sempre pensou na alternância’’, disse. ‘‘Além disso, temos um compromisso assinado pelos organizadores paulistas de que irão retomar o esquema de bienal.’’ Wassermann não diz o mesmo. ‘‘Não há decisão definitiva. Em função dos resultados, se verá. Mas pode ser que em um ano haja a Bienal e na outra o Salão’’, afirmou.
Enquanto Sérgio Machado aposta no ‘‘glamour’’ da feira do Rio, Wassermann confia no potencial de negócios do salão paulista. ‘‘Existe uma tendência de a Bienal de São Paulo ter mais eventos culturais e de trazer mais profissionais. A Bienal do Rio trará mais autores de fora’’, disse, confirmando o atrativo, em termos de público, da feira carioca.
Os organizadores do Salão paulista ainda guardam na manga os nomes dos convidados internacionais que virão para o evento, mas um dos eventos culturais já programados é o Café Literário, um espaço destinado ao encontro entre escritores e público, como acontece em outros países. Também está prevista a exposição ‘‘Os 100 Melhores Livros do Século’’, com obras que influenciaram a cultura brasileira. São esperados cem profissionais estrangeiros e 300 de todo o país.
O Rio receberá escritores portugueses e de outros países que falam o português, como Angola e Moçambique.
A escolha de Portugal como país homenageado aproveita o apelo recente do Nobel a Saramago e a comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, em 2000, e pode representar uma tendência para a feira carioca. ‘‘Embora não seja obrigatório, sempre que houver um ‘gancho’, teremos um país homenageado’’, disse Machado, que desdenha a participação de editoras no evento paulista. ‘‘As grandes editoras vêm para o Rio.’’ Wassermann acha que não é assim. ‘‘Algumas virão a São Paulo, e outras vão para o Rio’’, disse. ‘‘O público terá o livro de qualquer maneira, por meio dos livreiros e das distribuidoras, ainda que algumas editoras não venham para cá, e eu conheço muitas que virão’’, afirmou.ReproduçãoJosé Saramago: seu nome confere ‘‘glamour’’ à Bienal do Rio segundo os organizadoresCynara Menezes
Agência Folha

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