Saramago abre a Bienal do Livro
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Cristina Grillo Agência Folha 
Ganhar o Prêmio Nobel de Literatura de 1998 foi, para o escritor português José Saramago, profissionalmente um desastre. A partir da divulgação do prêmio, em outubro, o único texto que escrevi foi o do discurso de agradecimento. Deixei de ser um profissional da palavra escrita e passei a ser um profissional da palavra oral, disse ontem no Rio o escritor, explicando que tem sido muito requisitado para palestras ao redor do mundo, restando pouco tempo para se dedicar aos seus escritos.
Saramago e uma delegação de escritores portugueses chegaram ontem pela manhã à cidade e participam hoje da abertura da 9ª Bienal Internacional do Livro do Rio, que será inaugurada no Riocentro (em Jacarepaguá, zona oeste do Rio).
Se profissionalmente, na avaliação do escritor, a premiação foi um desastre, Saramago reconhece que houve um crescimento espetacular nas vendas de seus livros em toda parte.
O Nobel desperta a curiosidade. Cria um fenômeno ao nos tornar conhecidos em países que nem mesmo sabiam da existência de Portugal, afirmou. O fenômeno, explica, ocorre também em casa. Encontro portugueses que dizem com orgulho que agora vão ler minha obra. Um deles disse que minha vitória no Nobel é melhor do que ganhar a taça (referindo-se à Copa do Mundo), contou Saramago rindo.
Ontem à tarde, foi inaugurada na Biblioteca Nacional (centro do Rio) uma exposição sobre o escritor, com livros e cartazes sobre sua obra. A Bienal do Livro será inaugurada hoje às 11h30 com a presença dos ministros da Cultura do Brasil, Francisco Weffort, e de Portugal, Manuel Maria Carrilho. Às 19h, Saramago fará uma palestra aberta ao público em um dos auditórios do Riocentro.


