São Paulo, 09 (AE) - Depois de Paris e do Rio, São Paulo recebe, a partir de amanhã, a terceira edição da exposição "Fachadas Imaginárias", em que artistas de várias partes do mundo modificam, cada um a seu modo, a fachada de uma obra representativa da cidade. No caso de São Paulo, foi escolhido o estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, no bairro de mesmo nome, na zona oeste. O resultado será projetado em slide, às 20h30 de amanhã, na Oficina Cultural Oswald de Andrade e prossegue até o dia 19 com duas sessões diárias.
"Fachadas Imaginárias" foi criado pelo artista plástico francês Philippe Mouillon, que já está no Brasil. "Por ser uma megalópole, com a presença forte de pessoas de várias partes do mundo, São Paulo tem uma identidade muito complexa", diz Mouillon, justificando a escolha da cidade para o seu projeto, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura com o apoio da Aliança Francesa.
A exposição que começa amanhã conta com a intervenção de 102 artistas de várias partes do mundo, selecionados por Mouillon a partir da indicação de curadores dos principais museus de cada região. Da China, por exemplo, colaboraram 20 artistas e do Japão, 12. O Brasil participa com trabalhos de 60 artistas, dentre eles, Cláudio Tozzi, Luís áquila, Regina Silveira e Emanuel Nassar.
A fachada do Pacaembu foi fotografada, transformada numa planta e enviada aos artistas. O evento é estruturado a partir da projeção dessas fotografias e de grafismos em ritmos e sequências particulares. O projeto conta com uma trilha sonora especialmente composta pelo indiano Badal Roy e pelo brasileiro Luiz Bueno, que durante o evento lançará o CD Música.
Mouillon diz que tomou gosto por São Paulo depois de conhecer a cidade, em 1995. "É muito grande, muito difícil de se achar", diz. Na semana que passou pela cidade, o francês visitou a Praça Charles Miller, na frente do Pacaembu, e se interessou pelo local. "Além de ter uma arquitetura dos anos 50 muito interessante, é um dos templos do futebol, que é o esporte mais importante do Brasil."
Para Mouillon, "Fachadas Imaginárias" é "uma oportunidade de o morador da cidade lançar um novo olhar sobre o espaço conhecido". No texto em que explica o trabalho no Pacaembu, Mouillon diz que a proposta de escultura urbana para São Paulo tem como pano de fundo uma reflexão sobre a cidade em progressão.
A exibição em slide na Oficina Oswald de Andrade é a primeira parte do projeto que tem como o seu grande momento a projeção na fachada do próprio Pacaembu, a exemplo do que foi feito com os Arcos da Lapa, no Rio, e com a catedral de Grenoble
na França. A segunda etapa, no entando, ainda espera por um patrocínio de US$ 700 mil.
Serviço - "Fachadas Imaginárias". De segunda a sexta, às 18 e 19 horas; sábado, às 16 horas. Entrada franca. Oficina Cultural Oswald de Andrade. Rua Três Rios, 363, em São Paulo, tel. (011) 222-2662. Até 19/6. Abertura às 20h30.

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