Depois da sessão de suspiros e gritinhos que marcou o desfile de Ricardo Almeida, emocionar a platéia novamente seria uma tarefa árdua para quem viesse em seguida. Em se tratando de Alexandre Herchcovitch, não foi nada difícil. Só a expectativa do que ele vai apresentar, já é sempre emocionante.
O clima em todos os cantos do prédio da Bienal, onde acontece a São Paulo Fashion Week, é de retrospectiva. Antes de cada desfile, um clipe com os melhores momentos da grife é apresentado para os convidados. No caso de Alexandre Herchcovitch, sua passarela Verão 2006 vem diferente de tudo, mas com resgate de elementos que sempre pontuaram a carreira do estilista. O látex, o xadrez, a modelagem de alfaiataria e, sobretudo, a ousadia.
No país da cintura baixa, baixíssima, Alexandre coloca o cinto largo pouco abaixo dos seios, definindo uma nova silhueta. As formas mais amplas e a sobreposição tanto de tecidos de texturas diferenciadas como de estampas marcam a coleção tudo-ao-mesmo-tempo-agora. A princípio parece ter ultrapassado o limite do bom senso (traduzindo em uma palavra: over), mas na mão de um mestre, tudo se encaixa.
A Osklen também ousa ao apostar na cintura alta num passeio pelo Rio de Janeiro dos anos 1950. O perfume elegante vem dos corredores do Copacabana Palace, de onde surge a estampa ''barroco tropical''. Os macaquinhos lembram os maiôs comportadinhos de outrora. O toque 2006 vem nos vestidos soltos e longos em seda. Deliciosos para ir e vir da praia.
Vestidos também são destaque na coleção da mineira Patachou. A grife de Tereza Santos já se posiciona no exterior, mas volta os olhos para o artesanal bem brasileiro. O crochê de tramas bem abertas interfere no tricô e no algodão. As sandálias anabela de corda e veludo entram desde já na lista de itens obrigatórios da próxima estação.
Outro desfile exclusivamente masculino também marcou o primeiro dia da SPFW. Mario Queiroz lembra o agitado ano de 1968 e protesta contra o conformismo e o marasmo em camisetas pichadas, camisas rabiscadas e elegância nas formas ajustadas. O foco é o parisiense que foi às ruas trinta e poucos anos atrás. No momento moda praia, Cia. Marítima ''tingiu'' as modelos que desfilaram superbronzeadas. Biquínis e maiôs chegam inspirados nos anos 1970 com estampas indianas. A Ellus encerrou a maratona ao som de Rappin'Hood cantando ao vivo ''Eu Sou Negão''. O hip hop e o rap invadem a passarela-academia de ginástica. Cores vibrantes contrastam com looks encardidinhos do tie-dye e da customização.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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