São Paulo é cenário de "A Flor e o Concreto"
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terça-feira, 17 de agosto de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 18 (AE) - Com mais de 60 direções teatrais em seu país natal, a Alemanha, Stephan Stroux dirigiu ainda espetáculos no Canadá, em Cuba, no Chile e na Nigéria, entre outros países. Sua primeira direção com atores brasileiros, "A Flor e o Concreto", estréia amanhã no Centro Cultural São Paulo
espetáculo que o crítico Sebastião Milaré, responsável pela dramaturgia, define como "intrigante".
A gênese do espetáculo não deixa de ser bastante inusitada. Stephan Stroux é o diretor convidado para a concepção geral de um projeto inédito na história do teatro - Viagem ao Centro do Círculo - reunindo os sete países de língua portuguesa: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. Entre outras atividades, a partir de workshops realizados em cada um desses países, foram selecionados atores para a criação do espetáculo multicultural "Quem Come Quem", que deve estrear no ano 2000. "Só a língua portuguesa possibilita um trabalho unindo três continentes", observa Stroux. Os atores já foram selecionados, mas o projeto sofreu uma suspensão temporária, por falta de verbas, e deve ser retomado em fevereiro.
Enquanto nos outros países os workshops foram realizados com atores dos principais grupos teatrais, em São Paulo realizou-se uma audição para selecionar o elenco. Entre 70 candidatos, 13 participaram dos seis dias de workshop sob direção de Stroux. Mas a ligação entre o elenco foi tão forte que eles resolveram formar um grupo para seguir trabalhando.
E são esses 13 atores, agora integrantes do grupo Luzes na Cidade, que Stroux dirige no espetáculo "A Flor e o Concreto". "É um fato muito importante que a partir de apenas seis dias de workshop um grupo se tenha mantido unido e trabalhando por mais três meses, sozinho, sem ninguém cobrando." Sentindo-se responsável pela motivação dos atores e, diante da suspensão temporária do projeto da Cena Lusófona, Stroux decidiu vir ao Brasil para dirigi-los.
"A Flor e o Concreto" começou a tomar forma ainda no workshop, quando os atores improvisaram sobre temas propostos por Stroux, entre eles a solidão, os contrastes sociais e a religião como fuga, sempre tendo como cenário a cidade de São Paulo.
"São Paulo é uma cidade onde não há muita natureza", observa o diretor. "Mas há homens, com sua vidas, sonhos, medos
ansiedades." Essa paisagem humana integrada à arquitetura da cidade vai estar no palco. A iluminação, que o diretor considera pouco usual no teatro, vai ressaltar os espaços, mais que os atores. Eles passam por essas luzes e o espectador então pode acompanhar fios de histórias. "São pessoas tentando comunicar-se com outras, sempre voltando à sua solidão."
Também serviu como fonte de inspiração o livro de fotografias "Luzes da Cidade", de Cristiano Mascaro, que se uniu ao grupo no processo de criação. Segundo o diretor, o espetáculo não é dirigido a um espectador confortavelmente instalado na posição de voyeur. "Os personagens são apresentados com toda a ambiguidade e as contradições inerentes à condição humana e o espectador deve trabalhar com a imaginação para unir os fios da história." Serviço: "A Flor e o Concreto". Direção de Stephan Stroux. Duração: 1h20. De quinta a sábado, às 21h30; domingo, às 20h30. R$ 12,00. Centro Cultural São Paulo - Sala Jardel Filho. Rua Vergueiro, 1.000,tel. 3277-3611. Até 29/9. Patrocínio: Secretaria Municipal de Cultura


