São Miguel do Gostoso: onde o vento faz a curva
São Paulo - Gostoso é aproveitar o vento que faz a curva bem na esquina da Região Nordeste para entrar na onda do kitesurfe e windsurfe. É também desbravar praias ainda desertas e ouvir histórias dos tempos mais remotos do Brasil. No litoral norte do Rio Grande do Norte, a 108 quilômetros de Natal, São Miguel do Gostoso é simplesmente gostoso porque ainda é pouco explorada, diferente das agitadas e manjadas Pipa e Genipabu.
A cidadezinha de 9 mil habitantes é recente - foi emancipada em 1997. Chamava-se São Miguel de Touros, mas 93% da população aprovou em plebiscito a mudança do nome. Eles quiseram homenagear o seu Miguel, um homem de gostosa gargalhada que achava gostoso receber amigos e viajantes em sua casa. Com a popularidade veio o apelido: ''seo'' Gostoso.
Em pouco tempo, esse paraíso potiguar ganhou boas opções de hospedagem e fama entre os adeptos de windsurfe e de kitesurfe. Gostoso está exatamente no ponto onde o litoral brasileiro faz a curva para o oeste. ''Pela localização geográfica, é um dos melhores lugares no mundo para esses esportes'', afirma o windsurfista italiano Paolo Migliorini, de 33 anos, que há um ano decidiu morar no Brasil e investir em sua paixão. Ele montou um clube de esportes náuticos (www.drwing.com.br) e dá aulas de até duas horas de kitesurfe (a R$ 150) e windsurfe (a R$ 100). ''A frequência e a qualidade do vento são perfeitas. Por isso escolhi esse lugar.''
A principal praia é a Ponta do Santo Cristo. Mesmo para quem não curte aventura vale a visita. Semideserta, tem um belo cenário com dunas e águas tranquilas. É a ''paisagem fantástica'' que atrai todos os anos o advogado Valmir Matos Ferreira, de 28 anos. Morador de São Paulo, mas com família no litoral potiguar, ele recomenda Gostoso pelas praias sem agitação.
Para curtir a rusticidade local, siga para a Praia do Reduto. A seis quilômetros de São Miguel, é um simples vilarejo de pescadores. Aproveite e conheça o trabalho de rendeiras. Reduto também é o ponto de partida para a Praia de Tourinhos, uma das mais belas do pedaço. De lá, escolha entre alugar um buggy ou testar o fôlego numa caminhada de dois quilômetros por paisagens desérticas. O passeio deve incluir uma parada no mirante da Pedra da Baleia. Quando a maré sobe, jatos d'água espirram de uma formação de corais em alto-mar, imitando o esguicho do mamífero. A recompensa pela caminhada será uma enseada deserta, de ondas fracas e recifes que formam piscinas naturais.
Tourinhos ainda exibe uma duna petrificada de cerca de 2 mil anos, que deu origem ao nome da praia. Quando o navegador Gaspar Lemos passou pelo local, em 1501, achou que o paredão iluminado pelo sol lembrava a imagem de touros com chifres.
Gaspar Lemos também fez história na Praia do Marco, o primeiro lugar a receber um registro português. Para garantir a posse do local, fincou na areia um marco de pedra-sabão com 1,62 metro de altura e 25 cm de espessura. O que restou do original foi levado, em 1976, para o Forte dos Reis Magos, em Natal. (C.A./AE)





