As mentes brilham em São João del Rey, cidade histórica do sul de Minas Gerais. Berço de Tiradentes e de Tancredo Neves, personalidades que ajudaram a traçar a história do Brasil, o lugar esbanja cultura, tradição, religiosidade e representa o autêntico estilo de vida mineiro.
Todas essas características vieram como herança de um passado rico e movimentado. Fundada no fim do século 17 por taubateanos liderados por Tomé Portes del Rey e elevada à condição de vila em 1713, São João del Rey presenciou o início das explorações de veios auríferos e, depois, a sangrenta Guerra dos Emboabas. Durante a Inconfidência Mineira, a cidade foi, inclusive, um dos núcleos de conspiração.
Dentre os diversos museus que guardam testemunhos dos tempos antigos, há o Municipal, que fica na casa onde nasceu a heroína Bárbara Heliodora e o de Arte Sacra, sediado em uma das velhas cadeias públicas da cidade.
Assim como Ouro Preto e Tiradentes, sobreviveram em São João del Rey belíssimos marcos da arquitetura colonial mineira, além do estilo eclético do século 18. Há casarões majestosos, como o Solar dos Neves e o prédio da prefeitura e dezenas de ruelas bordadas de sobrados, como no Largo do Rosário.
Mas ao contrário dessas cidades históricas de Minas Gerais, que são repletas de lojas, bares e restaurantes, o centro antigo de São João del Rey, tombado pelo Patrimônio Histórico, é predominantemente residencial e traduz a vontade de viver em paz que está enraizada nos costumes do mineiro.
O visitante que circula pelas ruelas e ladeiras tranquilas encontra, como nos velhos tempos, meninas debruçadas nas janelas, senhoras sentadas ao relento e até alguns botecos locais, que vendem pão de queijo, broa de milho e café, o lanche típico.
A Rua Santo Antônio é símbolo da música tradicional, religiosa e profana, que envolve a cidade. Ali, estão as sedes de duas orquestras bicentenárias, a Lira Sanjoanense e a Orquestra Ribeiro Bastos, que tocam aos domingos nas igrejas de São Francisco de Assis e São Gonçalo, respectivamente. Foram as igrejas, aliás, que marcaram a difusão da música mineira, quando reservavam espaços maiores para apresentações.
A religiosidade sanjoanense é uma característica forte. Dizem até que alguns lêem os sinos, ou seja, sabem dizer, por seu soar, quem morreu, por exemplo. Para se ter uma idéia, há 25 igrejas e capelas, sendo a maioria de estilo barroco. Entre elas, se destaca a de São Francisco de Assis, construída em 1774 e atribuída ao Aleijadinho. Atrás dela está o cemitério onde Tancredo Neves foi enterrado.
Além da devoção e história, São João del Rey possui um lado mais moderno e atualizado, em termos de arquitetura e mentalidade. A cidade ostenta um alto nível de educação e cultura, traduzidos principalmente pela Funrei (Fundação de Ensino Superior de São João del Rey). Fundada em 1987 em homenagem a Tancredo Neves, a universidade federal reúne 3 mil alunos e oferece nove cursos de graduação e cinco de pós-graduação.

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