São João Del Rey traduz o estilo mineiro de viver
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de agosto de 1998
Agência Estado 
As mentes brilham em São João del Rey, cidade histórica do sul de Minas Gerais. Berço de Tiradentes e de Tancredo Neves, personalidades que ajudaram a traçar a história do Brasil, o lugar esbanja cultura, tradição, religiosidade e representa o autêntico estilo de vida mineiro.
Todas essas características vieram como herança de um passado rico e movimentado. Fundada no fim do século 17 por taubateanos liderados por Tomé Portes del Rey e elevada à condição de vila em 1713, São João del Rey presenciou o início das explorações de veios auríferos e, depois, a sangrenta Guerra dos Emboabas. Durante a Inconfidência Mineira, a cidade foi, inclusive, um dos núcleos de conspiração.
Dentre os diversos museus que guardam testemunhos dos tempos antigos, há o Municipal, que fica na casa onde nasceu a heroína Bárbara Heliodora e o de Arte Sacra, sediado em uma das velhas cadeias públicas da cidade.
Assim como Ouro Preto e Tiradentes, sobreviveram em São João del Rey belíssimos marcos da arquitetura colonial mineira, além do estilo eclético do século 18. Há casarões majestosos, como o Solar dos Neves e o prédio da prefeitura e dezenas de ruelas bordadas de sobrados, como no Largo do Rosário.
Mas ao contrário dessas cidades históricas de Minas Gerais, que são repletas de lojas, bares e restaurantes, o centro antigo de São João del Rey, tombado pelo Patrimônio Histórico, é predominantemente residencial e traduz a vontade de viver em paz que está enraizada nos costumes do mineiro.
O visitante que circula pelas ruelas e ladeiras tranquilas encontra, como nos velhos tempos, meninas debruçadas nas janelas, senhoras sentadas ao relento e até alguns botecos locais, que vendem pão de queijo, broa de milho e café, o lanche típico.
A Rua Santo Antônio é símbolo da música tradicional, religiosa e profana, que envolve a cidade. Ali, estão as sedes de duas orquestras bicentenárias, a Lira Sanjoanense e a Orquestra Ribeiro Bastos, que tocam aos domingos nas igrejas de São Francisco de Assis e São Gonçalo, respectivamente. Foram as igrejas, aliás, que marcaram a difusão da música mineira, quando reservavam espaços maiores para apresentações.
A religiosidade sanjoanense é uma característica forte. Dizem até que alguns lêem os sinos, ou seja, sabem dizer, por seu soar, quem morreu, por exemplo. Para se ter uma idéia, há 25 igrejas e capelas, sendo a maioria de estilo barroco. Entre elas, se destaca a de São Francisco de Assis, construída em 1774 e atribuída ao Aleijadinho. Atrás dela está o cemitério onde Tancredo Neves foi enterrado.
Além da devoção e história, São João del Rey possui um lado mais moderno e atualizado, em termos de arquitetura e mentalidade. A cidade ostenta um alto nível de educação e cultura, traduzidos principalmente pela Funrei (Fundação de Ensino Superior de São João del Rey). Fundada em 1987 em homenagem a Tancredo Neves, a universidade federal reúne 3 mil alunos e oferece nove cursos de graduação e cinco de pós-graduação.


