São João com adrenalina
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quarta-feira, 20 de junho de 2001
Da Redação 
Que o Brasil tem São João, todo mundo sabe. A novidade é o São João Radical de Paulo Afonso, cidade localizada no Nordeste da Bahia. Ou seja, a idéia é trocar a pipoca pela adrenalina. Na programação, bungee jumping de um balão, rapel e o casamento de pára-quedistas.
A cidade está despontando agora para o turismo de aventura. É tranquila e abriga cachoeiras, lagos, rios e jardins que compõem cenários bem interessantes para um roteiro que visa recarregar as baterias. Ou soltar doses extras de adrenalina na veia. Entre os esportes radicais praticados em Paulo Afonso estão o bungee jumping, canyoning, rapel, tirolesa, pára-quedismo, trike, sky surf, balonismo, copa de vela, jet ski, rally, motocross, mountain bike e trekking.
Pensando nisso, a prefeitura organizou a primeira festa junina do País que, ao invés da tradicional quadrilha, terá como atração principal os esportes radicais. A cidade, que desde 1996 sedia o Eco Esportes Radicais, já está com tudo pronto. Os festejos em Paulo Afonso começam esta semana e prosseguem até 1º de julho, no Parque de Exposições Djalma Wanderley e no Bairro Tancredo Neves.
Além das atrações já citadas, estão programadas outras atividades, como o salto de fogueira com motos, skates e bicicletas, quadrilha de rapel, pau-de-sebo com alpinistas e, ainda, barracas com comidas típicas e apresentação de grupos folclóricos.
Entre uma aventura e outra, a dica é curtir os shows de artistas como Gilberto Gil, Fagner, Fala Mansa, Limão com Mel e Frank Aguiar. A entrada para o arraiá poderá ser trocada por um quilo de alimento não-perecível.
Além de ser um referencial para os praticantes das modalidades esportivas de ação, a cidade também oferece belas paisagens para quem curte o turismo ecológico. Na parte sul da cidade está localizada a Reserva Ecológica do Raso da Catarina. Com uma área de aproximadamente 450 km2, o lugar é recoberto de florestas e caatinga contendo mandacarus e outros tipos de cactus.
Nessa reserva ainda vive uma pequena comunidade de índios Pankararés, além de algumas espécies raras da fauna e flora brasileira, como a arara-azul-de-lear (encontrada em 1978, hoje em extinção). Esse cenário, segundo historiadores, foi palco da Guerra de Canudos e serviu de refúgio para o cangaceiro Virgulino Ferreira, conhecido como Lampião. Para conhecer a região selvagem do sertão baiano é necessário autorização do IBAMA e acompanhamento de um guia especializado.
Paulo Afonso é localizada no Nordeste da Bahia e faz divisa com os estados de Alagoas, Pernambuco e Sergipe. Encravada no sertão baiano, a 460 km de Salvador, a cidade fica às margens do Rio São Francisco. Na divisa da Bahia com Alagoas, o rio encontra com um canyon e despenca para formar a maior e mais bela cachoeira do Nordeste.
A CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) onde está localizada a Hidrelétrica de Paulo Afonso é um dos passeios obrigatórios para quem vai à cidade. Subindo de bondinho chega-se ao Mirante do Teleférico, cercado de barzinhos e jardins, de onde se contempla as paisagens do Salto do Croata (quedas dágua de 70 metros de altura) e da Furna dos Morcegos (gruta de 43 metros de altura, 15 de largura e 150 metros de comprimento usada como esconderijo habitual de Lampião).
A Ponte Metálica de 80 metros de altura sobre o Rio São Francisco também é um dos pontos privilegiados para a vista da Usina PA IV e do canyon. A ponte é ainda palco para o Eco Esportes Radicais, onde ocorrem apresentações de bungee jump, tirolesa, canyoning, rapel e base jump.
A Igreja de São Francisco construída nos anos 50 pela CHESF, a réplica em miniatura da Cachoeira da Usina Piloto, a Avenida Getúlio Vargas (um dos points da cidade) e a placa de visita de D.Pedro II são outras opções de passeios turísticos da cidade. Além disso, Paulo Afonso também oferece ótimos restaurantes com comidas típicas nordestina (como o surubim, a carne-de-sol e o bode assado) e algumas apresentações folclóricas como Cangaceiros (epopéia de Lampião e do cangaço) e o Touro e a Sucuri (apresentação inspirada no poema de Castro Alves que representa a luta titânica entre a força da natureza e o esforço do homem).


