São Francisco do Conde, paraíso tropical
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2004
Biaggio Talento<br>Agência Estado 
São Francisco do Conde Quem conhece e se encanta com a entrada da Baía de Todos os Santos, com a Ilha de Itaparica de um lado e o Farol da Barra do outro, no litoral, não imagina como é belo o fundo da baía, onde fica São Francisco do Conde, a 50 quilômetros de Salvador. A região tem quatro ilhotas próximas do continente, o que, junto com a faixa de mangue e com os rios que desembocam na área, criam um cenário de paraíso tropical, ainda pouco explorado e desconhecido aos que visitam a Bahia.
Além da geografia exuberante, São Francisco do Conde é um dos municípios do Recôncavo Baiano que guardam as reminiscências de uma das regiões e períodos mais opulentos do Estado, o ciclo da cana-de-açúcar, que fez a fortuna de muita gente. Ruínas de engenhos, igrejas e outras construções majestosas criam uma atmosfera propícia para quem procura sentir ainda os ecos daquela época.
O litoral do município desenha um semicírculo em torno das quatro ilhotas, as ilhas de Cajaíba, das Fontes, do Pati e de Bimbarras, situadas a cerca de 100 metros da costa, onde é possível fazer passeios ecológicos após atravessar o curto trecho de águas mansas do mar em canoas e pequenas embarcações.
Na Ilha de Cajaíba, a maior do arquipélago de São Francisco do Conde, está o majestoso Solar Cajaíba, do século 19, instalado numa antiga propriedade da família do Conde Linhares, patriarca que se casou com Felipa de Sá, descendente do terceiro governador geral do Brasil, Mem de Sá.
O solar é aberto à visitação, mas o ponto alto da ilha são as trilhas ecológicas em meio à vegetação de remanescentes da mata atlântica. Na Praia do Sodré, pescadores e marisqueiras tiram do mangue o alimento diário, principalmente o camarão, posteriormente defumado para ser vendido no mercado local.
A Ilha das Fontes guarda 11 fontes de água doce e 5 quilômetros de trilhas onde podem ser apreciadas árvores raras da mata atlântica, como jacarandá, pau-d'arco, sucupira e outras. Seriemas, garças, veados, cutias e outros animais silvestres circulam na ilha sem se incomodar com a presença das pessoas.
Já a grande atração da Ilha do Pati é a população de 160 pessoas. São descendentes de um quilombo e criaram uma manifestação cultural famosa na região: o Paparutas, dança que exalta a culinária e culmina com uma grande comilança. A Ilha de Bimbarras é propriedade particular, podendo, por enquanto, ser apenas apreciada de longe. Há projeto de instalação de um complexo turístico no local.


