São dois pra lá, dois pra cá
ReproduçãoJoanna lança disco com música romântica latino-americana produzido por quem mais entende do assunto: Armando ManzaneroAntônio Mariano Júnior
Não, não tem Besame Mucho. Mas em compensação, entrou outro clássico da compositora mexicana Consuelo Velázquez - Que Seas Feliz, de 1956. Essa é apenas uma das 11 canções que compõem Intimidad (BMG), 17º disco da cantora e compositora Joanna que, depois de um bom tempo, conseguiu fazer o que mais desejava: um disco de bolero tendo como produtor ninguém mais, ninguém menos que Armando Manzanero. Tinha que ser ele. Não queria fazer esse disco se não fosse com o Manzanero. Fiz questão porque, na minha opinião, ele é o papa da música romântica latino-americana- diz Joanna.
E eis que após seis meses entre seleção de repertório e gravação (feita em Los Angeles), Intimidad chega às prateleiras com pelo menos duas intenções: resgatar o velho e bom bolero, com uma concepção moderna, e também sedimentar de vez a carreira de Joanna no mercado latino. Sou bastante conhecida lá fora e esse disco vem como uma espécie de abre-portas definitivo- assume Joanna.
A maioria dos boleros selecionados foram compostos na década de 50. Ah, sim um detalhe interessante: no encarte, além das letras e nome dos autores há também o ano em que as canções foram compostas. O repertório é conhecidíssimo. Lá estão, por exemplo, Tu me Acostumbraste (Frank Dominguez), Perfídia (Alberto Dominguez), Quizás, Quizás, Quizás (Oswaldo Farres). Duas inéditas: Ahora que te Vas (Armando Manzanero) e La Vida se Hizo Pasión (Augusto César-Paulo Sérgio Valle, vertida para o espanhol por Armando Manzanero).
Ou seja, uma bela tacada comercial. Sim, porque Joanna faz releituras capazes de agradar a brasileiros e estrangeiros de língua hispânica. Foi um trabalho minucioso porque houve a preocupação em agradar aos dois públicos diz ela. Mas também tivemos a delicadeza de escolher determinadas músicas que estão no inconsciente coletivo do Brasil até para não ferir o meu mercado- complementa.
Claro que mesmo com muito ensaio e zelo na pronúncia é audível, aqui ou ali, o sotaque da cantora. A prosódia vence algumas vezes. E olha que há dois anos ela vem estudando o espanhol de olho, obviamente, no rico e disputado - e às vezes ingrato - mercado latino. Que ninguém se iluda: trata-se de um disco de uma brasileira cantando em espanhol. Nunca a gente vai perder o sotaque. Mas o povo hispânico gosta, acha simpático. Por isso creio que isso não pesa como crítica- analisa Joanna acrescentando que o próprio Armando Manzanero aprovou o maneirismo brasileiro impresso pela cantora.
Trata-se, em outras palavras, de um disco que terá que ser bem trabalhado tanto aqui como no exterior. O show de lançamento acontece em novembro, na casa de Shows Tom Brasil, em São Paulo. Nesse mesmo mês está marcada uma apresentação na Argentina. Nesse meio tempo, turnê pelo Brasil afora.
Mas será a partir de dezembro que a coisa vai pegar pra valer. É que nessa época Joanna fará shows pelo México: É o mercado que detona um trabalho para o resto do mundo- informa.





