Pedro Ribeiro
Especial para a Folha
Enquanto o rio corre por entre a mata, lambendo as pedras do seu leito e purificando a água que alimenta os peixes, acima do barranco que o separa da solidão, existe marola. Ali, o sangue quente corre nas veias do cidadão meio índio, meio branco, meio negro, meio amarelo. Não importa. O que importa é o paredão da cor da terra que separa o rio dos homens. Um muro com três metros de altura e pouco mais de 50 metros de extensão, edificado na curva fechada do Km 2 da estrada das prainhas, em Porto de Cima, no Poço Preto, coração verde da nossa Mata Atlântica.
O muro intriga e deixa inquietas as pessoas que passam pela antiga estrada do Itupava, entre os seis quilômetros da Estação Ferroviária do Engenheiro Lange à Ponte de Ferro do Porto de Cima. A primeira vista, agride. O questionamento, no entanto, é sobre o por quê e o que existe atrás deste enorme paredão. Encontramos o dono e a resposta, rápida, vem na ponta da língua. ‘‘Por segurança, para criar expectativa e principalmente para proteger o meio ambiente’’, explica o advogado Luis Cláudio Correia.
O portal se abre e estamos diante do Santuário do Nhundiaquara, uma construção rústica, encravada na bacia do rio do mesmo nome e ao pé do Conjunto Marumbi, cartão-postal paranaense.
Antes de admirar a obra arquitetônica, onde a edificação, em madeira roliça, segue o caminho das árvores, avistamos a borboleta azul (morpho), sinal de que ali existe equilíbrio ecológico. Um passo à frente, a visão global da base, de um braço, do Complexo Turístico Nhundiaquara, que Correia está implantando na região, visando o desenvolvimento turístico em harmonia com a natureza.
O Complexo Turístico, com hospedagem, ecoparque, acantonamento para educação ambiental a estudantes, atividades relacionadas à preservação ambiental e infra-estrutura de apoio, está inserido em uma área de 100 alqueires. Começa no rio Ipiranga, com águas totalmente limpas nascidas no Conjunto Marumbi, que desembocam no rio Nhundiaquara. Ali, o projeto atravessa toda a região conhecida como ‘‘Prainhas’’ – um trecho paradisíaco – e se instala na base do Santuário do Nhundiaquara.
O empreendedor Luis Cláudio Correia é um advogado com escritório em Curitiba e uma vida dedicada à preservação da natureza. Ao longo de 15 anos, vem adquirindo áreas na região e dotando-as de infra-estrutura.
Para o conservacionista Henrique Schmidlein (Vitamina), que frequenta a região desde a Segunda Guerra Mundial, o ‘‘projeto de Luis Cláudio é sansacional, porque está preservando e conservando uma área fadada à degradação pela mão do homem. ‘‘O Poço Preto estava morrendo’’, observa. Vitamina, a exemplo de outros frenquentadores do caminho do Itupava, também execrou, no início, o polêmico muro. ‘‘Minha vontade era de destruir’’, enfatiza, acrescentando que hoje, depois de muita explicação, sua idéia é diferente.
O empresário Joel Malucelli, que semanalmente desce a serra e se instala em sua casa na Ilha Malutrom, também em Porto de Cima, foi conhecer o projeto do advogado Luis Cláudio Correia. ‘‘É de muito bom gosto e um exemplo de integração e preservação do meio ambiente’’, disse. O engenheiro João Francisco Bitencourt também gostou do que viu, o mesmo acontecendo com os jornalistas Giovani Ferreira, da Folha, e Ana Paula, do Diário da Manhã, de Ponta Grossa.

TOME NOTA
- O Santuário do Nhundiaquara, que será inaugurado dentro de 30 dias, está localizado no Poço Preto, antes frequentado por pescadores que acampavam na região do Porto de Cima, em Morretes. Da ponte de ferro, da estrada da Graciosa, é só seguir até o Km 2 da estrada das prainhas, ou caminho do Itupava, em direção à estação Engenheiro Lang.
- No complexo existe uma área coberta de 1.000 m2, edificada em construção rústica, com madeira roliça e cobertura de palha, integrando arquitetura moderna ao meio ambiente. A infra-estrutura é dotada de sanitários, vestiários, ambulatório, lanchonete, biblioteca e videoteca com filmes documentários sobre a Mata Atlântica.
- O ambiente, ideal para se passar o dia, oferece todo o apoio ao turista, inclusive com o cuidado para atender idosos e deficientes físicos. Um tobogã de água, com 130 metros, serpenteia um pequeno morro, caindo direto no rio Nhundiaquara. Antes, passa por uma gruta, com cachoeira, ao lado de pequenas piscinas para crianças e por baixo de um deck.
- A área coberta, segundo o advogado e empresário Luis Cláudio Correia, também serve para a realização de convenções e palestras, a exemplo de treinamento de executivos para convivência com o local de trabalho e a natureza. ‘‘Aliviar o estresse’’, acredita. A infra-estrutura de apoio conta também com um estacionamento para mais de 100 veículos, localizado a 100 metros da base.Empreendimento rústico encravado ao pé do Conjunto Marumbi, cartão-postal ecológico do Paraná, muda a paisagem em Porto de Cima, Morretes
Fotos: DivulgaçãoA CONSTRUÇÃO Poço Preto, no Rio Nhundiaquara: construção da base não impede a passagem dos praticantes de bóia-cross, apenas preserva a naturezaO complexo turístico é todo em madeira e coberto com palha: arquitetura orgânica preserva e conserva plantas e árvores

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