SANTOS se revela um lugar especial
Célia Baroni
Ruas estreitas, igrejas belíssimas, casario e monumentos que datam dos primeiros anos de 1500; ano oficial do Descobrimento do Brasil. Você sabia que Santos, município localizado na ilha de São Vicente (SP), tinha tudo isto? Não fique avexado em dizer que não, porque até mesmo os santistas (caiçaras) despertaram recentemente para o seu potencial turístico.
Na contramão da imagem comum às cidades portuárias, Santos se revela um lugar especial. No cais do porto e em volta dele, se desdobra uma cidade encantadora e rica em cultura que oferece ao turista mais do que praias agradáveis e bem estruturadas, belos jardins e uma rede hoteleira competente.
Mais que histórias para contar, Santos tem, desde o início, um papel importante no desenvolvimento do País. Em suas ruas houve cantos de vitória sobre os holandeses e o medo na derrota dos portugueses. Guerrearam índios e colonizadores, choraram as correntes dos escravizados. Abrigaram os sonhos dos imigrantes de todas as raças e credos. Nelas, choveu dinheiro na época de ouro da exportação do café e endureceram os ânimos na recente automatização e privatização do porto.
Do alto do Monte Serrat, do mirante do antigo cassino da cidade (século 18), é possível apreciar toda extensão da beleza desta cidade ainda subestimada no seu valor turístico. Se não quiser subir os 415 degraus que levam até o topo do morro, use o bondinho, outra atração. Lá em cima aproveite e faça uma oração e um pedido na capela de Nossa Senhora de Monte Serrat (1603), protetora de Santos e conhecida como uma grande milagreira.
Dizem que não há milagre impossível para Nossa Senhora de Monte Serrat se o pedido for feito com fé. Muitas histórias do passado e atuais reforçam esta crença entre os fiéis que se devotam ou recorrem a santa em busca de ajuda para solucionar suas agruras. Durante todo ano, seu altar fica cheio de velas, fotos e presentes; agradecimentos de quem foi contemplado e símbolos dos pedidos.
Ah, o Valongo... Quem não viu não pode imaginar a graça que tem este bairro. O nome é resultado de uma pequena corruptela da indicação vá ao longo, dada pelos antigos, quando alguém perguntava como chegar até lá. O charme de suas ruas, com a maioria de suas casas ainda antigas, fez dele a escolha certa para se tornar o centro de lazer noturno de Santos.
O projeto da prefeitura prevê a restauração dos prédios históricos do Valongo e direcionamento de sua utilização para bares, restaurantes e boates. Uma adaptação do que foi feito no Recife Antigo. Em Valongo está uma igreja que merece ser vista. As formas simples mas alongadas da Igreja do Valongo (1640) têm, por fora, uma elegância que cativa. Por dentro ela oferece uma riqueza de detalhes em obras de arte que preenchem o altar e todo o seu interior em uma sucessão de encantamentos.
Aliás, quem gosta de igrejas e capelas não vai se decepcionar. Além da catedral, há várias igrejas e capelas. São menos ostensivas que as igrejas da Bahia e Olinda (PE), mas nem por isto menos bonitas. Seu queixo vai cair de surpresa.
Caminhar pelo centro antigo se transforma em um passeio delicioso. A cada passo é possível ver nos casarios uma mistura da arquitetura européia (ainda renascentista) já corrompida com detalhes em barroco e rococó. O prédio da Prefeitura, com sua imponência e suntuosidade, degraus em mármore de carrara e um salão nobre, réplica de um dos salões de Versalhes (Paris), é uma visita imperdível.
A Bolsa do Café (1922), já foi responsável por cerca de 90% do comércio de exportação do café produzido no País. Para relaxar, passe na Casa do Café e deguste um cafezinho puro ou com creme. Se preferir, opte pelo sorvete de café, uma iguaria de dar água na boca.
No roteiro de quem vai a Santos não podem ficar de fora o Aquário, primeiro do País; o Museu do Mar; o Orquidário e o Museu de Arte Sacra, no Mosteiro de São Bento (1650). Entre as obras do acervo do museu, pare um pouco mais em frente à imagem de Santa Catarina de Alexandria e aprecie sua beleza.
Um passeio de escuna incluindo o porto, costa do Guarujá, Fortaleza da Barra Grande e ilha de Urubuqueçaba é obrigatório. A grandeza do porto, navios de carga e transatlânticos valem o passeio. Os mergulhadores experientes ou portadores do Dive Card, podem ir ao Parque Marinho da Laje de Santos, principal ponto de mergulho da região sudeste do País. Com visibilidade até 20 metros de profundidade, a reserva ambiental tem mais de 100 espécies de peixes e animais marinhos.
A jornalista viajou a convite da Secretaria de Turismo de SantosAlém da orla de praias agradáveis, as ruas do município estão cheias de história em belos monumentos, igrejas e casario antigos
DivulgaçãoMajestosoPrédio da Bolsa do Café: nos tempos áureos, a casa foi responsável por cerca de 90% do comércio de exportação do café produzido no PaísDivulgaçãoIgreja do Valongo: formas simples e alongadasFrancisco Arrais/DivulgaçãoBondinhos do Monte SerratDivulgaçãoPrédio da PrefeituraDivulgaçãoFonte no Orquidário Municipal





