Nelson Sato
De Londrina
Celebrar a música de Santana virou uma obrigação. A mídia mundial – que durante uma década a havia relegado ao ostracismo – não para de festejá-la, especialmente depois da gloriosa noite do Grammy quando o guitarrista mexicano levou nove troféus para casa.
Não será surpresa se começarem a aparecer reedições de seus antigos álbuns remasterizados e vídeos de seus shows históricos. A Rede Cultura vai na onda e apresenta dois especiais resgatando imagens da passagem do músico pelo Brasil em 1996 durante a turnê de seu álbum ‘‘Dance of the Rainbow Serpent’’. O primeiro programa vai ao ar hoje à meia-noite e o segundo será exibido na próxima sexta no mesmo horário.
Os dois especiais trazem Santana tocando em São Paulo, onde veio a convite do projeto Kaiser Gold Sounds, que visa enaltecer a excelência artística dos músicos brasileiros e internacionais. A turnê de ‘‘Dance of the Rainbow Serpent’’ comemorava os 30 anos de sua carreira. No palco, ele é acompanhado de Tony Lindsay (vocais) Raul Rekow (congas e percussão), Karl Perazzo (timbales e percussão), Chester Thompson (teclados), Myron Dove (contrabaixo) e Billy Johnson (bateria).
No repertório, estão as músicas ‘‘Europa’’, ‘‘Savor’’, ‘‘Guajira’’ e ‘‘Samba Pa Ti’’, além de outras menos conhecidas do público, como ‘‘Light at the Edge of the World’’ e ‘‘Sonny Sarroock’’. Na época do show, o nome de Santana inspirava piadas mordazes a respeito da geração flower power, da qual ele seria um emblema vivo.
Com exceção dos fãs de longa data, que acompanhavam a trajetória do artista desde sua aparição no festival de Woodstock em 1969, é possível supor que boa parte do público o via como uma curiosidade arqueológica do rock. Foi só recentemente, com o estouro nas paradas do álbum ‘‘Supernatural’’ (lançado em junho do ano passado), que ele conquistou uma nova audiência retomando a fama de herói latino da guitarra. Repleto de participações especiais (Lauryn Hill, Rob Thomas, Everlast, Dust Brothers, Dave Matthews etc), o disco vendeu horrores. Antes da entrega dos Grammys, cinco milhões de cópias já tinham evaporado das lojas.
Com o disco, Santana voltou à crista da onda, guindado talvez menos por méritos próprios do que pelo arrastão de ritmos latinos que empesteia o mainstrean musical americano.

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