Cleide Cavalcante
Agência Estado
Para quem deseja ficar livre da agitação do dia-a- dia, uma boa dica é a cidade de Santa Rita de Jacutinga, ao sul de Minas Gerais. A incrível quantidade de cachoeiras, cerca de 70, a beleza das matas, rios e cavernas e a variedade de sua fauna, fazem da cidade um verdadeiro paraíso mineiro praticamente virgem. O patrimônio cultural e histórico do município pode ser apreciado nas antigas fazendas, abertas à visitação pública, que datam da época da escravatura.
A cidade das cachoeiras, como é conhecida, é um lugar tipicamente mineiro. Simples, porém, aconchegante. Seus moradores são hospitaleiros e gostam de contar histórias e lendas dos tempos dos ciclos do café e do ouro. Um pouco desta época está retratado nas gigantescas fazendas da região. Os destaques ficam para as fazendas de São Bento e Santa Clara. Esta última, construída entre 1760 e 1780, ainda conserva o local onde os escravos eram torturados e trancafiados.
Fundada em 1805, a fazenda de São Bento transformou-se em uma espécie de condomínio fechado. Suas construções constituem um sutil contraste entre o moderno e o antigo. Dentro dos limites da fazenda está a cachoeira que leva o mesmo nome, com cerca de 140 metros de queda d’água. Um local tranquilo, ideal para banhos e muito visitado por grupos da terceira idade.
Caminhando por cerca de 40 minutos, o encantamento é garantido no Vale Borboletas. Como o próprio nome já diz, o lugar fica tomado por exemplares diversos de borboletas em determinadas épocas do ano. Um espetáculo de rara beleza.
Algumas cachoeiras, aproximadamente 20, são de fácil acesso. As demais exigem um pouco mais de esforço para seu alcance. As mais conhecidas são as de Zé do Sô Ito, Barbosa, Santa Clara, São Bento, Zé Ouvídio, do Ronco, do Jarba, do Haroldo, do Estreito, Vargem do Sobrado, Pacau (a 1.200 metros de altura), e do Boqueirão da Mira – com vista para o Boqueirão, um abismo de 100 metros de boca por 50 de fundo, o maior de Minas.
Santa Rita do Jacutinga é cercada por montanhas. Construções antigas – como as igrejas, ainda bem conservadas – vão pouco a pouco dividindo espaço com modernas, porém modestas edificações. Essas construções expressam o desejo de transformar o município em um pólo turístico. A Igreja Matriz, a praça, o túnel da Ferrovia do Aço, o Vale do Rio Preto – com praias e corredeiras –, e o Monte Calvário, a igrejinha no alto do morro, são locais muito procurados pelos turistas.
Como o assunto é Minas Gerais, não se pode deixar de fora o sobrenatural. A Serra da Beleza atrai grande número de ufólogos com a pretensão de registrar o aparecimento de Ovnis. Muitos garantem já tê-lo feito.
Outro passeio com diversão garantida é o criatório de trutas. Para quem gosta, lá é permitido pescar ou quem não quiser perder tempo pode simplesmente comprar quantos quilos quiser do peixe. Outro criatório oferece carpas e trairas, o que manda é o paladar do freguês.
E, por falar em paladar, vários alambiques de pinga contribuem para aumentar a alegria dos visitantes. Nestes locais, o turista pode conhecer todo o processo de fabricação do aguardente, com direito a degustação. Também vale incluir no programa uma visita a uma das fábricas de queijos. Com tanta coisa boa para apreciar vai ser difícil sair da cidade sem a mala abarrotada de artesanato, queijos, pinga, artigos de crochê, doces e compotas. E a alma deliciosamente farta de tranquilidade mineira.

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