Santa Cruz desponta para o turismo
No caminho você vai descobrir por que o vinho chileno está despontando no cenário mundial. O Vale de Colchagua é uma vasta região do sul do país, a 178 quilômetros de Santiago, com extensas terras cobertas de parreiras por todo lado. São, no total, 13.360 hectares plantados lá estão as clássicas vinhas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Carmenere (a última produzida apenas no Chile), e as uvas para vinho branco, sendo as principais Chardonnay e Sauvignon Blanc.
A cidade onde se faz o ''acampamento base'' da viagem chama-se Santa Cruz. Até pouco tempo atrás nem todos os chilenos a conheciam, e os estrangeiros achavam que se tratava daquela que fica na Bolívia. Mas a Santa Cruz do Chile é motivo de muitas visitas, graças aos vinhos de altíssima qualidade que estão sendo produzidos nos arredores.
O hotel do roteiro é um só: o Santa Cruz, um cinco-estrelas de estilo espanhol, com muitos toques de construção caipira chilena. Seu mentor, o empresário Carlos Cardoen, investiu mais de US$ 3 milhões no empreendimento. Ele é também responsável pelo magnífico Museu de Colchagua, que fica atrás do hotel. Filho dessa cidade, Cardoen criou o museu como forma de agradecimento à terra que tanto lhe deu. ''Fiz o museu, começou a vir muita gente. As pessoas me disseram que não tinham onde ficar. Optei por construir o hotel.''
Toda Santa Cruz gostou. Logo começaram a chegar os estrangeiros, que já vinham fazer negócios com as vinícolas. Cardoen diz que no hotel assinaram-se contratos de mais de US$ 80 milhões, envolvendo os vinhos da região. Sua felicidade se vê no brilho dos olhos. O Restaurante Los Varietales, lá dentro, é considerado um dos melhores do país, sob o comando do chefe Hernán Hernandez. Tem farta carta de vinhos, é claro, e preços surpreendentemente baixos.
O roteiro mais tradicional dura três dias. Visitam-se três das quatro principais vinícolas que fazem parte da rota: Viu Manent, Bisquertt, Santa Laura e Montgras. A escolha é do visitante. Todas produzem vinhos finos, de butique, e promovem degustações de até dois vinhos. Há almoços nas adegas em meio aos litros dos mais deliciosos e tradicionais chilenos.
É interessante notar, além de conhecer antigas construções e ver o processo de elaboração e história das vinhas, que ninguém tenta empurrar o visitante para os salões de venda. Aliás, nem todas os têm. É um turismo que está engatinhando. (J.B./AE)





