Sangue, suor e lágrimas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de novembro de 2000
Celso Mattos De Londrina 
Apesar de Gladiador ser um filme grande demais para a pequena tela da televisão, assisti-lo é um prazer. O filme está chegando às locadoras e promete fazer tanto sucesso quanto nos cinemas. Cuidadosamente escrito, magnificamente interpretado e impecavelmente dirigido, é um épico que nos transporta para um mundo que muita gente julgava esquecido o mundo de Ben-Hur e Spartacus, onde valores como liberdade, justiça, lealdade e honra eram mais importantes que a própria vida.
A sequência de abertura de Gladiador é tão impactante quanto a de O Resgate do Soldado Ryan. A mão do general Maximus (Russel Crowe) passeia pela vegetação rasteira de um campo aberto. Descartada rapidamente, a cena de total angústia voltará a fazer sentido mais tarde. O ano é 180 antes de Cristo, e Maximus prepara seu exército para a batalha: os romanos têm que impedir a invasão de bárbaros germânicos e o campo de batalha é a Bavária.
O confronto mostrado pelo diretor Ridley Scott não poupa o telespectador: corpos mutilados, decapitações, muito sangue e vísceras. Mas a violência aqui não é gratuita. Existe um propósito em mostrar essas imagens que parecem sair do inferno. Elas estão lá para mostrar que a vida ali vale muito pouco. Ao contrário de grande parte das superproduções milionárias de Hollywood, Gladiador é conduzido pelo roteiro. Cada frase é proferida com a intenção de causar o máximo de impacto no telespectador.
E para valorizar o roteiro, um elenco de peso. A interpretação segura e comovente de Russel Crowe faz o espectador estremecer e Joaquin Phoenix surpreende na pele do cruel e invejoso Commodus, um personagem frágil e ambíguo. Além disso, os veteranos Richard Harris e Oliver Reed dão um banho de interpretação. Como se isso não bastasse, Gladiador oferece ao telespectador uma visão espetacular de Roma e do Coliseu, com uma primorosa reconstituição de época. Gladiador já faz parte da história do cinema. Lançamento da CIC. Duração: 154 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
ReproduçãoPoético e sensível, Assédiomostra o amor unindo duas culturas
Assédio
O diretor de O Último Imperador e O Céu Que Nos Protege , Bernardo Bertolucci volta ao seu tema preferido: falar da união de culturas opostas. Em Assédio, seu último trabalho, ele narra com muita suavidade e sensibilidade a paixão de um músico inglês que vive em Roma, por uma jovem refugiada da África. A música clássica tocada pelo pianista e os sons africanos primitivos pontuam o romance.
Mas Bertolucci não se deixa levar pela objetividade e conta uma história de amor marcada pelo distanciamento e pelo silêncio. Tudo é observação e poesia nesse trabalho intimista do cineasta. A química entre Jason Kinsky (David Thewlis) e Shandurai (Thandie Newton) faz o espectador desejar todo o tempo que algo aconteça, mas o clima de tensão sexual continua durante todo o filme entre imagens e sons belíssimos de duas pessoas e culturas tão distintas tentando se unir.Lançamento da Europa. Duração: 95 minutos.
ReproduçãoConduzido em ritmo lento A Carta gira em torno do conceito da virtude moral
A Carta
Vencedor do prêmio do júri no Festival de Cannes, 1999, A Carta , do cineasta português Manoel de Oliveira, é uma transposição para os dias de hoje do romance La Princesse de Cléves, do século 17, escrito por Madame de La Fayette. Toda a história gira em torno do conceito da virtude moral. A jovem Chartres tem sua primeira frustração amorosa ao ser abandonada por um rapaz que desejava um relacionamento mais aberto. Desiludida, ela se casa com um renomado médico, mesmo não amando-o.
A jovem deseja apenas ser fiel e merecer a confiança que o marido deposita nela. Mas acaba se apaixonando por um cantor jovem e moderno. Ela então resolve contar ao marido, que morre logo depois de saber a verdade. Sentindo-se responsável pela morte dele, Chartres vive um dilema: resistir a esta paixão ou entregar-se a ela. A Carta é conduzido em ritmo lento no melhor estilo europeu. Lançamento da Europa. Duração: 104 minutos.


