Milton Dória/DivulgaçãoParte da nova turma de atores formados pela Escola Municipal de Teatro de Londrina: depois de estrear em ‘‘Cabaret Munchausen’’ (foto), novo desafio é conseguir trabalho
Sangue novo no teatro


Recém-saídos de um curso de dois anos, 15 atores falam de suas experiências, perspectivas e frustrações

Jackeline Seglin

A segunda turma de formandos da Escola Municipal de Teatro (EMT) de Londrina encerrou a sua temporada de estréia - e de início de estrada - no final do mês passado, na Mostra Regional/Nacional e Universitária do Filo. Depois de 26 apresentações do espetáculo ‘‘Cabaret Munchausen’’ - montagem de formatura da escola - 15 novos atores injetam sangue novo no mercado. E agora? Quais as perspectivas de cada um? O que Londrina oferece a eles? O que será dessa nova safra?
A vontade de seguir em frente é grande. Muitas idéias na cabeça e disposição para colocar a mão na massa. Mas a luta para tocar o objetivo de continuar nos palcos é árdua. A escola abriu o caminho - o resto é com eles.
Os formandos deste ano da EMT têm projetos individuais variados. Dos 15 atores, alguns já estão se iniciando na nova empreitada: Priscilla Bergamasco está no elenco de ‘‘O Marinheiro’’, primeiro espetáculo do grupo Ex-votos; Rogério Ferraz e Leandro Ragazzi conseguiram vaga como professores na EMT; Fabiana França quis se preparar mais e está cursando Artes Cênicas na UEL, e José Sabino está encaminhando um projeto de teatro na área sindical. Os demais? Bom, por enquanto estão nas tentativas.
Com 34 anos, o bancário José Aureliano Sabino saiu da EMT com dois objetivos: montar um grupo sindical para intervenções na comunidade e desenvolver um projeto de teatro de rua. ‘‘Quero trocar idéias com grupos que fazem este trabalho. O projeto do teatro de rua não é pra já. Posteriormente, quero constituir um grupo sem fins lucrativos.’’
O projeto do grupo sindical é mais urgente e deve ser encaminhado até meados do ano. José Sabino é diretor do Sindicato dos Bancários de Londrina e tem uma certa experiência na área. ‘‘A idéia é envolver pessoas de outros sindicatos’’, diz.
Leandro Ragazzi, 22 anos, está atuando como professor de expressão corporal da EMT, mas prefere manter os pés no chão. ‘‘Não sei o que vai acontecer, estou perdido. Estamos conversando sobre a possibilidade de montar um grupo, mas minha idéia é estudar mais, sair de Londrina. Ainda não estou pronto’’, adianta.
Depois de abandonar o Magistério no ano passado, Fernanda Catai, 18 anos, pretende seguir carreira em teatro e, para isso, quer estudar. ‘‘Por enquanto, eu e algumas colegas da escola estamos estudando a formação de um grupo.’’
Quem também não tem certeza do que vai fazer é Leila Cassiolato, 17 anos, estudante do 3º ano colegial. ‘‘Gostaria de montar um grupo com o pessoal do Cabaret Munchausen. Se não der, minha intenção é entrar em outra companhia. Depois quero estudar e sair para o Rio e São Paulo.’’
Ana Paula Lopes, 17 anos, tem um projeto que, embora não seja imediato, faz parte dos planos da nova atriz. Seu objetivo é baseado na falta de produtores e produções teatrais em Londrina. ‘‘Deveriam existir pessoas que se dedicassem a isso. É o que eu quero fazer. Buscar conhecimento e voltar para aplicar aqui na cidade. Estou a fim de fazer um curso superior de Produção no Rio, São Paulo ou Bahia’’, conta. Além disso, Ana Paula tem a perspectiva de montar um grupo. ‘‘Não quero perder o vínculo direto com o palco.’’
Em dois anos de curso, os alunos da EMT tiveram uma pequena amostra do que é a vida no palco. Pequena mesmo. A história lá fora é outra. ‘‘Foi uma descoberta. A gente entra numa escola de teatro querendo ser ator de TV. A EMT passou idéias novas que mudaram meu conceito’’, diz Leandro Ragazzi. Segundo ele, durante os dois anos na escola aprende-se muita coisa - mas é apenas um curso. ‘‘Quando chega a época de montagem muda bastante. Tivemos que correr atrás de dinheiro, comprar um circo, montar, construir palco, instalar iluminação, ajudar na construção do cenário... E lá fora tudo vai ser mais difícil’’, diz. ‘‘Por isso, temos que colocar na cabeça: a escola acabou!’’
Leila Cassiolato também ficou deslumbrada com sua primeira experiência na área. ‘‘Eu tinha a pretensão de levar em frente, achando que fazer teatro era ser ator da Rede Globo. Mas conheci algo completamente diferente. E descobri que estar cara a cara com o público pode ser muito mais legal.’’
Nem todos tinham gosto pela coisa. Fernanda Catai, por exemplo, começou o curso na EMT sem nenhuma pretensão. ‘‘Minha mãe é que foi lá, me matriculou e eu fui fazer. Acabei gostando’’, revela.

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