Show com a banda Wasted – Hoje no Moinho Dom Pedro (Alameda Don Pedro II, 602, Batel). Previsto para começar às 22h30. Couvert a R$ 3,00, sem consumação. Contatos com a banda pelo fone: (41) 9995-5607 ou pelo e-mail [email protected] banda Wasted se apresenta hoje mostrando músicas próprias e covers com referências dos anos 60
Mauro FrassonWasted traz influência de Beatles, Animals e The Who com reflexos dos anos 90

L.C. Lobo
De Curitiba

Falar sobre bandas novas de Curitiba é – sem trocadilho com o clima da cidade – chover no molhado. Grupos aparecem aos montes e tão rápido como vêm, eles somem, com as raras e gratas exceções. Hoje à noite, no entanto, os amantes do pop e rock poderão conferir de perto uma das mais expressivas e promissoras bandas da recentíssima safra dos finados anos 90. Wasted, formada há apenas quatro meses, apresenta no Moinho D. Pedro o puro pop-rock de influência vinda diretamente dos anos 60 com a leitura pós-qualquer-coisa típica dos 90.
Com a formação agradável aos olhos e ouvidos, o Wasted é: Ivan Rodrigues (16 anos – bateria), Joan Lang (19 anos – guitarra e voz), Alexandra (21 anos – guitarra solo e voz) e Daniel Rodrigues Alves (22 anos – baixo e vocal). As mulheres fazem a linha de frente e os homens ficam na cozinha.
A banda juntou-se por meio dessas mágicas que estão sempre presentes nas receitas de sucesso. Joan tinha um baú de músicas prontas e procurava alguém para montar uma banda. Numa festa, encontrou Alexandra, que estava cansada de cantar MPB na noite e queria montar uma banda. As duas se perguntaram de que tipo de música gostavam e a resposta veio rápida: ‘‘Beatles’’. Trocaram telefones e foram levando o projeto para frente.
Alexandra tinha acabado de conhecer Daniel. Ele estava tocando bateria num bar country onde ela fez uma apresentação. ‘‘Pensei em ligar logo para ele pois baterista sempre é difícil de achar’’, ela lembra. Ligou sem muita certeza afinal haviam se encontrado num bar country. Perguntou que tipo de música ele gostava: ‘‘Beatles’’. Mas Daniel fez uma ressalva, não era baterista, tinha apenas feito um ‘‘bico’’, na verdade, era baixista. ‘‘Melhor ainda’’, lembra Alexandra.
O primeiro ensaio foi com apenas três. Ivan foi o último convidado. Caçula, ele traz na bagagem o convívio com a música desde a mais tenra infância. É filho do cantor Ivo Rodrigues, do Blindagem. Suas bandas preferidas: Ramones e, é claro, Beatles.
Apesar de todos serem influenciados pelos Beatles, fazem questão de avisar que não são cover. ‘‘Os Beatles são uma influência, mas fazemos um som dos anos 90, músicas com letras e sons atuais’’, destaca Joan.
A banda faz, instintivamente, a melhor combinação de vozes do pop curitibano. É, ao mesmo tempo algo delicado e cheio de energia. As letras e músicas são, por enquanto, todas compostas por Joan, que carrega em temas tristes, depressivos. Mas os outros membros da banda garantem que também vão começar a compor e os temas podem variar. ‘‘A Joan faz as músicas e a gente se reúne para fazer os arranjos. Nisso, muita coisa acaba mudando’’, explica Ivan. Joan é um prodígio: aos 19 anos, já tem umas 50 canções compostas.
A banda vem subindo na cotação dos shows na noite curitibana. Com apenas quatro meses, já fez 11 shows, participou de um festival de bandas da cidade ficando com um honroso segundo lugar na primeira vez que subiram num palco maior e sem a oportunidade de ‘‘passar o som’’ no local. Além disso, já tem uma fita demo gravada e até um contato não muito agradável com a polícia no show de comemoração do aniversário de Alexandra. Tudo bem, policiais e vizinhos não são críticos musicais.
No show de hoje, mais da metade são de músicas próprias e o resto de covers dos anos 60 com, é claro, muito Beatles – que é a maior, mas não única influência. Animals, The Who, Ramones (no caso de Ivan), Rolling Stones, são citadas como outras referências. No Brasil, gostam quase que exclusivamente de bandas curitibanas e as mais citadas são Feichecleres, Mosha, Loader, Animal Boys e a ‘‘mãe-de-todas’’ A Chave.
Quem está cansado da falta de delicadeza e personalidade das bandas curitibanas, não irá desperdiçar seu tempo vendo e ouvindo a mais nova delas. Longa vida a Wasted.

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