Não é uma história verídica, como Hollywood adora. Mas o caso de Gwen Cummings (Bullock), contado em ‘‘28 Dias’’ (em exibição em várias salas do Paraná, veja a programação de cinema na página 5), tem todos os ingredientes para um coquetel muito comum no dia-a-dia da humanidade. No início da história, ela alterna estados de espírito diversos, ora selvagem e louca, ora confusa e triste.
Toda noite é dia de festa com o namorado Jasper (Dominic West). Após os clubes, os drinques, as drogas e eventualmente o sexo - se conseguirem aguentar acordados. Aí uma vela pode começar um incêncio. Que é apagado com champanhe...
Na manhã seguinte, o dia de Gwen começa com uma passadinha pela geladeira para uma cerveja matinal. Na verdade, ela inferniza a própria vida e a dos próximos. Como a irmã, Lily (Elizabeth Perkins), que se casa apesar do atraso de Gwen. E na festa do casamento, ela apronta poucas e boas, e acaba roubando uma limusine e trombando numa casa.
Corte para a clínica onde agora Gwen deve cumprir 28 dias de reabilitação em substituição à cadeia. E aí o filme gasta o resto do tempo, entre a usual galeria de coloridos personagens, cada um à sua maneira encarregado pelo roteiro de distribuir lições de sobrevivência em território digno. Há o habitual romance periférico com um jogador de beisebol (Viggo Mortensen), internado por abuso de outra variedade de droga.
‘‘28 Dias’’ foi escrito pela mesma Susannah Grant de ‘‘Erin Brockovich’’. Para ela, Sandra Bullock trouxe para a personagem uma espécie de vulnerabilidade que não a transforma em vítima, mas simplesmente em um caso a mais para tratamento. Sandra, assim como Julia Roberts, é adorável; mas em ‘‘28 Dias’’ este não é o caso. Quem dirige o filme é outra mulher, Betty Thomas.

mockup