Samba punk rock
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Nos anos 90, eles acabaram sendo ''empacotados'' na mesma sacola de bandas que seguiram a tendência do manguebeat comandada por Chico Science e sua Nação Zumbi. Ganharam destaque mas ficaram ali, sempre à margem, desafiando os rótulos e mantendo o samba rock experimental, psicodélico. Amanhã, o Mundo Livre S.A. traz para Curitiba um resumo dessa ''militância musical'' na carreira, com o show do álbum ''Combat Samba'', uma coletânea da discografia do grupo.
O Mundo Livre S.A. nasceu em 1984, no resultado da mistura de efeitos eletrônicos com samba e guitarras distorcidas. A repercussão nacional veio junto da onda manguebeat, já que o grupo costumava tocar bastante com Chico Science e o primeiro álbum ''Samba Esquema Noise'', de 94, agradou os críticos e os fãs. Depois disso, o grupo continuou gravando e se apresentando, de forma mais discreta, já que o manguebeat foi caindo no esquecimento. ''A gente sempre teve a postura de autonomia e evitou ficar na sombra da cena mangue até porque a gente tinha uma linguagem muito própria. Nunca renegamos essa cena de Recife, só nos mantemos em nossa temática'', diz o vocalista Fred Zero Quatro.
Os álbuns ''Guentando a Ôia'' (1996) e ''Carnaval na Obra'' (1998) mantiveram a atitude punk e o experimentalismo da banda e culminaram em ''Por Pouco'' (2000), vencedor do prêmio de melhor disco do ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). ''Esse prêmio veio num momento bacana porque ''Por Pouco'' foi o primeiro que a gente gravou em uma estrutura maior, de grande gravadora. Parte do público estava desconfiado, mas foi legal, o disco veio com uma sonoridade sofisticada e um apuro técnico muito grande'', comenta Fred.
O destaque de amanhã, ''Combat Samba'', é uma homenagem ao quinto disco da banda punk rock britânica The Clash, intitulado ''Combat Rock'', e vem justamente para reforçar as raízes musicais do grupo. ''Curto os discos novos do Nick Cave e ele mostra uma modernidade mas tem aquela veia dele, temperamental, aquela frequência dele. O Tom Waits, o The Fall também são assim. Guardadas às proporções, também temos nossa própria linguagem, nossa personalidade. A gente está aberto e assimila coisas novas mas temos uma espinha dorsal estabelecida'', explica Fred.
''Essa coletânea é para o público que está se renovando e não encontra nossos discos, fora de catálogo. É também para quem é mais velho mas é novato no circuito alternativo. O nome serve para reverenciar, além do Jorge Ben Jor, outra influência na nossa linguagem, que foi o The Clash'', completa o músico.
SERVIÇO
- Show de Mundo Livre S.A.
Quando - Amanhã, às 22h
Onde - John Bull Pub Music Hall (R. Engenheiro Rebouças, 1.645), em Curitiba
Quanto - Ingressos antecipados a R$ 20


