Com o intuito de aperfeiçoar o Carnaval de rua de Londrina, uma série de oficinas está sendo realizada com escolas de samba da cidade. Patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), o projeto foi apresentado por Edward Robinson Rodrigues, presidente da Escola de Samba Gaviões Londrinense. O orçamento de R$ 19.399,00 prevê a realização de cinco oficinas.
O projeto foi iniciado em 19 de maio, com uma semana de aulas de bateria e percussão com o músico Eduardo Ramos, da Escola de Samba Tradição, do Rio de Janeiro. Na quarta-feira foi concluída a oficina de mestre-sala e porta-bandeira com o casal Tânia e Zé Luiz, da escola carioca Acadêmicos da Rocinha. No período de 20 a 24 de junho acontecem ainda as oficinas de alegorias e adereços. Para fechar o calendário, a oficina de passistas será realizada de 26 a 30 de junho, com a convidada Adriana, da Imperatriz Leopoldinense (RJ).
Edward Rodrigues diz que o projeto foi aberto a todas as escolas de samba e à comunidade londrinense. ''Tivemos um apoio importante da Secretaria da Cultura nesse projeto. E para fazer crescer o nosso Carnaval não basta trabalhar com uma só escola. Por isso abrimos para todas'', comenta. As oficinas também têm vagas destinadas a crianças. ''Delas depende o novo andamento do Carnaval e por isso é legal que tomem gosto desde cedo''.
A escola Gaviões Londrinense, campeã do Carnaval 2003, já havia iniciado um intercâmbio com a Acadêmicos da Rocinha. No ano passado, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Gaviões, Ariane e Hellyvelton, esteve no Rio para aperfeiçoar sua performance com Tânia e Zé Luiz, que estão há 14 anos na Rocinha. Agora, o casal carioca passou sua experiência também para mestre-salas e porta-bandeiras das escolas Garotos Unidos da Zona Sul, Quilombo dos Palmares, Unidos do Jardim Paulista e Sangue Azul.
Na oficina para 25 pessoas, eles falaram da origem e da importância dessas figuras no Carnaval brasileiro. Segundo Tânia, 51 anos, o casal de mestre-sala e porta-bandeira é o símbolo da escola de samba na avenida. ''Aliás, são os únicos que podem levar, apenas os dois, 40 pontos no desfile. Todos os outros quesitos dependem de mais pessoas para atingir a nota máxima'', destaca.
O mestre-sala foi criado para proteger o estandarte (que trazia o enredo da escola), mais tarde substituído pela bandeira com o símbolo da agremiação. Enquanto a porta-bandeira usava o grande vestido rodado, o mestre-sala se caracterizava pelo sapato Luís XV, meias 3/4 e peruca. ''Hoje mudou muito. As escolas criam o enredo e jogam o mestre-sala dentro dele. Às vezes fogem completamente do estilo para atender ao enredo'', diz Zé Luiz, 50 anos.
Para ser nota 10, na opinião de Tânia, uma porta-bandeira precisa ser elegante, simpática e tem que dominar e atrair o público. ''Caso contrário, vai passar pela avenida sem ninguém perceber. Tem de ser ousada!'', ensina. ''A gente tem que olhar para o jurado com força, dizendo: eu estou aqui e sei o que estou fazendo; trabalhei para isso e tenho consciência que faço tudo bem''. Para Tânia, o casal tem de estar bem fantasiado, ter elegância, simpatia e apresentar um conjunto perfeito.
Já o mestre-sala, conta Zé Luiz, mostra o clássico dentro do samba. Também precisa de magia e leveza para dançar. ''Para ter nota 10, ele deve saber conduzir a porta-bandeira com elegância. É um trabalho de conquista. A dança entre o casal é um namoro. O mestre-sala atravessa a avenida dançando, cortejando a porta-bandeira. O ponto máximo é a apresentação da bandeira, quando ele beija a mão da moça, como se tivesse concretizado a conquista''.
Tânia de Oliveira Zenha e José Luiz Barbosa de Castro são casados há 29 anos. Além de ser o primeiro casal da Acadêmicos da Rocinha, eles também trabalham com o grupo de teatro Nós do Morro e têm um ateliê de fantasias e figurinos. Sem contar que, quando requisitados, levam sua experiência para ser compartilhada com outras escolas de samba.
O casal acredita que o Carnaval londrinense requer mais investimentos e união por parte das agremiações. ''Ainda é necessário muita coisa para mudar o Carnaval daqui. Se todas as escolas assumirem o projeto e mudarem a mentalidade, a tendência é crescer. A competição tem de existir na avenida. Fora, tem que ter união'', diz Tânia. Zé Luiz acrescenta na lista de prioridades a formação de uma associação de escolas de samba.
Interessados em participar gratuitamente das oficinas de alegorias, adereços e passista podem entrar em contato pelo telefone (43) 3348-0845. Os encontros acontecem no Centro Comunitário Parigot de Souza II, das 20 às 22 horas, nas datas estipuladas.

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