Dois novos nomes estréiam na praia do samba: Carmen Queiroz e Eliseu do Rio chegam ao disco pelo CPC-Umes. Ambos possuem carreiras definidas e são conhecidos no meio. A paulistana Carmen Queiroz já arrancou elogios de Beth Carvalho, Nelson Sargento e Roberto de Oliveira. O salgueirense Eliseu do Rio tem apoio de Nei Lopes.
Carmen de Queiroz tem uma postura vocal que lembra cantoras da velha guarda, da época de ouro do rádio. A diferença está na extensão, mais curta. Há, porém, uma leve tendência nasal e um vibrato capaz de levantar os saudosistas.
ReproduçãoApesar das características, Queiroz não faz samba da antiga. ‘‘De Volta ao Samba’’ (Chico Buarque), traz um interessante arranjo de sopros. ‘‘Leite Preto’’ (Benê Zambonetti/Roberto de Oliveira) é uma canção com arranjos de viola caipira, flauta e percussão. ‘‘Carvão e Giz’’ (Luiz Carlos da Vila/Paulo César Feital) lembra as gafieiras, com uma introdução de trombone. Entre os poréns, está um teclado bolerístico em ‘‘Vontade de Chorar’’ (Ivor Lancelotti/Paulo César Pinheiro) e em ‘‘Canto das Três Raças’’ (Paulo César Pinheiro/Mauro Duarte) – uma das pérolas do repertório de Clara Nunes.
Divulgação/Gal OppidoEliseu do Rio aparece em ‘‘Tô A풒 apoiado pelo compositor e escritor Nei LopesEliseu do Rio é frequentador dos pagodes de Vila Isabel, já morou na favela e há tempos convive entre os bambas cariocas. Apadrinhado pelo compositor e escritor Nei Lopes, Eliseu aparece como intérprete em ‘‘Tô A풒, CD com direção musical de Carlinhos 7 Cordas.
O disco é linear, com arranjos comandados por um violão de sete cordas que costura improvisos em registros médios e graves – as ‘‘baixarias’’ – em praticamente todas as faixas. Tudo funciona como um contorno para a voz de Eliseu, que abriga a rouquidão depurada de quem amadureceu profissionalmente na boemia.
A estrutura é de samba de morro, um embasamento sólido para o repertório que inclui compositores como Sombra e Nei Lopes. O disco abre com ‘‘Você Foi’’ (Sereno/Sombra/Franco), composição bem resolvida em duas partes, ponteada por um coro típico de partido-alto – característica que se tornou refém do pagode comercial. As composições mantêm o padrão por todo o álbum. Ao demorar para estrear em CD, Eliseu acabou se familiarizando com um repertório maturado. Por isso não há conflitos entre obra e intérprete, fato corriqueiro em discos de estréia.

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