Samba do ponto de vista técnico
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domingo, 11 de fevereiro de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Uma distância colossal separa o Carnaval de rua de Londrina dos desfiles realizados no Rio de Janeiro e em capitais onde a festa mobiliza os participantes durante o ano inteiro e não apenas às vésperas de animar a avenida.
Tanto aqui como naquelas cidades, porém, as escolas de samba são orientadas a seguir um conjunto mínimo de normas e quesitos sob o risco de serem desclassificadas. Foi o que ocorreu com as escolas Bahia Abraça Londrina e Sangue Azul, punidas respectivamente em 2004 e em 2005 por terem se apresentado com um número de componentes inferior ao permitido pelo regulamento.
Mas uma comissão de julgadora não se reduz ao papel de guardiã das regras. Cabe a ela analisar, dar notas a uma dezena de quesitos e eleger as campeãs. Em Londrina, a equipe convocada para avaliar os desfiles dos próximos dias 17 (sábado) e 18 (domingo) terá que avaliar evolução, mestre-sala e porta-bandeira, alegoria e adereços, harmonia, samba-enredo, fantasia, comissão de frente, bateria, conjunto e enredo.
''Um mesmo grupo de pessoas vem sendo mantido no júri em Londrina, o que acho positivo, porque assim desenvolve know-how de ano para ano'' - diz o músico e professor da UEL Mário Loureiro, convidado mais uma vez (ele não sabe precisar de quantas folias já participou) para assistir aos desfiles com olhos críticos. Sobre a função de analisar e dar notas aos quesitos, ele salienta que é ''um momento solitário, durante o qual não há nenhuma troca de impressões com os colegas'', apesar da proximidade entre eles.
Loureiro conta que, desde que começou a participar do júri, passou a prestar atenção redobrada nas transmissões televisivas dos desfiles de Carnaval do Rio de Janeiro. ''É interessante ver como os comentaristas organizam o pensamento para avaliar. Isso faz parte de nosso aprendizado, porque ainda somos amadores'' - afirma.
A jornalista Andréa Monclar, jurada pela terceira vez do carnaval popular de Londrina, também acompanha as transmissões televisivas. ''Costumo gravar para depois estudar e comparar os desfiles com as notas recebidas pelas escolas'' - diz. Ela revela que, em seu primeiro ano como jurada, levou um choque ao tomar contato com a realidade do Carnaval norte-paranaense: ''Tinha a visão do luxo do carnaval visto pela TV. Aqui, tudo ainda é bem modesto, embora perceba algumas mudanças de atitude tanto em relação à performance na avenida quanto numa maior participação da comunidade. Na verdade, nós jurados estamos amadurecendo de acordo a evolução do Carnaval feito em nossa cidade'' - ressalta.
Um esboço de profissionalização também foi detectado por Edna Aguiar, professora de interpretação da Escola Municipal de Teatro que participa pela primeira vez como jurada do Carnaval local. ''Senti uma grande diferença entre 2004 e 2005 e depois entre 2005 e 2006. As escolas estão mais organizadas. Houve uma melhoria nos quesitos de evolução, fantasia e comissão de frente'' - afirma.
Edna desfilou pela escola Vai-Vai, de São Paulo, entre 1990 e 1996. Na época, atuava no grupo de teatro Boi Voador, dirigido por Ulisse Cruz, que era carnavalesco da Vai-Vai. Durante cinco anos, trabalhou no barracão da agremiação ajudando na construção de carros alegóricos. Foi campeã duas vezes com a escola. ''Ali aprendi o que é Carnaval de rua. Depois não deu para assistir carnaval da mesma forma, com os mesmos olhos'' - assinala. Ela voltou a Londrina em 2005, embora - de visita - tenha sambado na avenida um ano antes. ''Não sou nenhum expert, mas acho que adquiri experiência'' - pondera. Uma reunião com toda comissão julgadora, formada por 10 membros, será realizada na próxima quarta-feira na Secretaria Municipal de Cultura. Na ocasião, os componentes receberão as sinopses das escolas e toda a orientação para a análise dos quesitos.


