Samba com muita poesia
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sábado, 01 de maio de 2004
Reportagem Local 
Nana, Dori e Danilo conseguiram o que parecia não ser mais possível: devolver a simplicidade a canções de Dorival Caymmi. O disco é composto exclusivamente por sambas já embutidos no imaginário popular como ''O samba da minha terra'', ''O que é que a baiana tem?'', ''Eu não tenho onde morar'' e ''Você já foi à Bahia'' e também algumas preciosidades como ''Severo do pão'', ''Eu cheguei lá'' e ''Trezentos e sessenta e cinco igrejas''. Todas as 20 canções, algumas aglutinadas numa mesma faixa, ganharam arranjos acentuadamente percussivos numa busca calculada que aproxima o samba praticado por Caymmi e o samba carioca. Obra de Dori que cercou-se de um time eficaz de músicos: Pedro Amorim e Ronaldo do Bandolim (bandolim), Toni 7 Cordas (violão de sete cordas), João Lyra (violão), Jorjão (baixo) e Jurim Moreira (bateria). Só tinha que dar certo.
A produção é assinada por José Milton, que conseguiu emplacar o projeto na Warner. É um álbum despretensioso embora bem produzido. Há um bom diálogo entre os irmãos que cantam em uníssono fogem à tradição dos trios convencionais e consequentes malabarismos vocais. Enquanto Nana reina absoluta nos agudos, em muitas faixas chega a ser complicado saber se os graves são de Dori ou Danilo, tamanha semelhança de timbres.
''Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo'' é um daqueles discos que podem transitar em qualquer dial ou ambiente social. Popular com toque de sofisticação, tem poesia e candura estofadas com samba da melhor qualidade. Caymmi, não?! (A.M.J.)


