Samba brasileiro também vai a Paris
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segunda-feira, 20 de abril de 1998
Ademir Fernandes Agência Estado 
Nem só de Ronaldinho, Romário e companhia viverão os torcedores brasileiros em Paris. O grupo de percussão Afro Reggae, formado por 42 adolescentes que moram na Favela Vigário Geral (zona Norte do Rio), foi convidado para assistir aos jogos da Seleção Brasileira e animar a torcida nas arquibancadas. O convite partiu do governo holandês. Também o Grupo Molejo embarca em junho para a França, eleito pelos jogadores para animar a Seleção nas horas de lazer.
Se música e futebol dão bom casamento nas horas de lazer da Seleção, comercialmente não se pode dizer a mesma coisa. Até na gíria costuma-se dizer que um determinado time joga por música, quando atua bem. Mas, apesar da enorme quantidade de músicas sobre o futebol, poucas emplacaram, e ainda assim algumas não levam a boas lembranças, caso de Pra Frente Brasil. Uma ironia, porque essa marchinha de Miguel Gustavo enaltecia o tri no México. Só que ela acabou sendo explorada - contra a vontade do autor - no governo Médici, numa tentativa de se mostrar um País próspero que na verdade não existia.
Entre os clubes, os campeões disparados são o Flamengo e o Corinthians, com mais de 20 músicas cada um. No caso da Seleção Brasileira, as maiores honras ficam para Pelé e Leônidas, de acordo com o Catálogo do Serviço de Defesa do Direito Autoral.
Em 1919, quando o Brasil ganhou o Sul-Americano ao derrotar o Uruguai por 1 a 0 na decisão (gol de Friedenreich, na segunda prorrogação), Pixinguinha comemorou com o choro 1 a 0, e o compositor Feijoada fez o samba Goal Brasileiro, em parceria com Luiz Nunes Sampaio. Em 38, Raul Torres compôs o cateretê A Copa do Mundo. No mesmo ano, e aqui a informação é do pesquisador José Ramos Tinhorão, foi composta uma música em homenagem a Leônidas da Silva, que dizia: O Diamante Negro/pulando um metro e setenta/fez um gol de bicicleta/(breque)/o caboclinho é mesmo um atleta. O autor é desconhecido.
Leônidas também foi homenageado por Ary Barroso, que compôs Deixa Falar, cantado por Carmen Miranda, em 38. No começo desse disco era reproduzida uma parte da transmissão do jogo entre Brasil e Checoslováquia. David Nasser também lembrou Leônidas com a música Diamante Negro, e a Seleção ainda seria homenageada por José Luiz de Moraes, o Caninha, nos anos trinta, com Onde o Brasil Chegar. Já nos anos 40, outro jogador da Seleção, Perácio (falecido em 77), seria homenageado com Pretinho, de Custódio Mesquita e Evaldo Rui.
A lista é enorme e inclui Moreira da Silva, que cantou Copa Rocca, em 1943, e até músicas que nem foram compostas para o futebol, caso de Touradas em Madri, de Braguinha, lançada em 38 mas que foi muito cantada na Copa de 50, quando o Brasil ganhou da Espanha.


