"Salve Jorge" joga com o que tem. Fosse um jogo, estaria, na melhor das hipóteses, empatado. Para vencer, o "time" precisa mudar a tática, apostar em outras jogadas. Com a ida de Morena, a protagonista de Nanda Costa, para a Turquia, a novela ganha uma tática mais agressiva com agilidade e dinamismo. A jogada nova na verdade é velha, mas costuma funcionar: a formação de novos casais. E aí, talvez, esteja a mudança que vai botar fogo no jogo. Ou melhor, na novela.
Érica, personagem de Flávia Alessandra, aparecer com Celso, de Caco Ciocler, parece um desdobramento comum após o término do relacionamento conturbado que ele teve com Antonia, interpretada por Letícia Spiller. Mas juntar Théo e Márcia, de Rodrigo Lombardi e Fernanda Paes Leme, é uma cartada daquelas que mexe com o público. O mocinho, após "apanhar da vida" seguidas vezes, resolve buscar consolo justamente nos braços da melhor amiga da ex-noiva. Uma novidade que provoca diferentes reações e que traz um ponto positivo: a retirada da bela Fernanda do limbo do esquecimento de uma novela com elenco inchado – onde ainda se encontram Stênio Garcia, Mariana Rios, Ana Beatriz Nogueira e tantos outros sem função relevante para a trama. A personagem de Fernanda, se não vira vilã com os beijos no mocinho, ao menos sai do politicamente correto exagerado. Que nada combina com o ar sapeca da atriz.
Além de possibilitar o surgimento do novo romance, a ausência de Morena no Brasil, coincidência ou não, deixa a trama mais ágil. A delegada Heloisa, de Giovanna Antonelli, sofre mais um atentado. Morena dá uma surra em Rosângela, de Paloma Bernardi, arma diversas situações para prejudicar a boate turca e depois vira fugitiva no país – o que abre espaço para outro que estava esquecido, Tiago Abravanel que, na pele de Demir, ajuda a mocinha contra a rede de tráfico de mulheres. A novela sai do ritmo cadenciado e, recheada de cenas de ação, muda o estilo em busca de empatia do público.
É claro que, mesmo com toda essa ação, "Salve Jorge" ainda parece calma se comparada com sua antecessora, "Avenida Brasil", e todas as suas reviravoltas. Mas ao menos a novela engrena em um desenrolar da trama. Com conflitos mais definidos, fica fácil para o público saber para quem torcer. Isso sem contar que os acontecimentos na Turquia, além de um possível romance do protagonista, deixam, no mínimo, uma leve dúvida sobre o futuro de Théo e Morena. Antes tão
certo e previsível.

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